Morte de promotor sem desfecho
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sexta-feira, 11 de junho de 2010
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Ortigueira - Na noite de 15 de junho de 1989, o promotor público Francisco Bezerra Cavalcanti, 32 anos, morreu com um tiro no peito em uma sala do Fórum de Ortigueira (Norte). E até hoje, quase 21 anos depois, o caso permanece sem desfecho. Uma das dúvidas que persistem é se a morte foi criminosa ou causada por um disparo acidental.
O promotor estava na sala de um juiz e foi atingido por um tiro de pistola 765 calibre 45. Segundo o inquérito aberto pela Polícia Civil na época, a arma era manuseada pelo juiz quando caiu no chão e disparou atingindo o coração de Cavalcanti.
A versão de tiro acidental gerou controvérsia porque o promotor havia recebido a missão da Procuradoria Geral de Justiça de apurar uma denúncia contra o juiz. Segundo a denúncia apresentada pelo advogado José Eduardo Bianchini, havia irregularidades no concurso para preenchimento de vaga no Cartório de Registro de Imóveis.
O processo sobre a morte do promotor foi ''desaforado'' de Ortigueira, ou seja, foi transferido para outra comarca e o julgamento no Tribunal do Júri, que chegou a ser marcado pelo menos duas vezes, nunca foi realizado.
Também a denúncia de irregularidade no concurso ainda não foi resolvida. O cartorário Álvaro Sady de Brito, que responde ''interinamente'' pelo cartório, foi arrolado como testemunha de defesa no processo. Pelo que consta, ele estava na sala do juiz no dia do disparo. Procurado pela reportagem, Brito disse que só fala sobre o assunto na Justiça. ''Não tenho nada a declarar, a não ser dentro do processo''.
Esperança
Bianchini trabalha atualmente como analista contábil na Prefeitura de Ortigueira. Ele, que é testemunha de acusação no processo, ainda aguarda um desfecho para o concurso e mantém a esperança de assumir o Cartório de Registro de Imóveis. ''Há provas nos autos que mostram que o disparo não poderia ser acidente'', afirma.
A reportagem localizou a viúva do promotor em Londrina. Ela pediu para não ser identificada e disse que estava muito desapontada com a lentidão do processo. Mesmo assim, afirmou que a família, ela e dois filhos, aguardam uma solução.
O juiz Luiz Setembrino Holleben, acusado da morte, está aposentado na função e atua como advogado em Ponta Grossa (Campos Gerais). No dia da morte, ele definiu o episódio como uma ''fatalidade indescritível''. A reportagem entrou em contato quatro vezes com o escritório do advogado dele e não houve retorno das ligações. Na última vez, a telefonista informou que ele voltaria apenas na próxima semana e que não tinha autorização para passar o telefone celular.


