Morte de mulheres terá investigação especial
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domingo, 26 de agosto de 2001
Katia Michelle<BR>De Curitiba 
O delegado da Divisão de Narcóticos (Dinarc), Eduardo Cabral Júnior, começa hoje a investigar a série de assassinatos de mulheres que vem ocorrendo nos últimos meses, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. Ele foi designado pelo delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, depois de audiência pública, realizada anteontem, para discutir a segurança no município. Desde janeiro, nove mulheres foram mortas. No mesmo período, foram registrados 23 casos de mulheres desaparecidas. Os moradores acreditam que uma mesma pessoa tenha cometido os crimes.
Cabral vai definir hoje, com uma equipe da própria Dinarc, as estratégias e um cronograma para as investigações. Ele pretende estudar todos os inquéritos abertos referentes aos assassinatos e verificar os casos de desaparecimento. ''Temos informações de que, em alguns casos, as mulheres já retornaram para as suas casas e os familiares não deram retorno para a delegacia'', argumenta o delegado. Ele faz um apelo à população e pede aos parentes que prestaram queixa que compareçam à delegacia para atualizar a denúncia ou retirá-la.
Segundo Cabral, dos noves assassinatos, seis não foram elucidados. Ele não descarta a possibilidade das mortes terem sido cometidas pela mesma pessoa um ''assassino em série'' mas disse que não pode comprovar nada antes de iniciar as investigações.
Cabral quer analisar os inquéritos para tentar traçar um perfil das mulheres que foram mortas e comprovar se há ligação entre os assassinatos. ''Geralmente um assassino em série procura um perfil para suas vítimas'', disse. Ele admite que falta estrutura em Almirante Tamandaré para dar andamento às investigações. Por isso, as apurações serão feitas em conjunto com a Dinarc.
O delegado Ribeiro admite que a situação de Almirante Tamandaré é preocupante. ''Precisamos buscar provas contundentes para os crimes que estão ocorrendo.'' Ribeiro participou da audiência pública no distrito de Tranqueira, onde pelo menos 200 pessoas se reuniram para cobrar das autoridades a melhoria do policiamento. O delegado-geral disse que cabe à Polícia Militar reforçar a segurança, mas vai pedir para que o efetivo seja reforçado.
Filho mata mãe A dona-de-casa Nanci Aparecida Dall Pozzo, de 42 anos, morreu depois de ser atingida por um tiro disparado pelo próprio filho, o comerciário Jackson Luiz dos Santos, 22. O crime aconteceu na tarde de sábado, na Rua 24 de Maio, 3.069, no Bairro Água Verde, em Curitiba. Na casa moravam mãe, filho e uma tia que não teve seu nome divulgado.
De acordo com a polícia Santos tinha problemas mentais. Ele teria encontrado um revólver calibre 32 em um dos armários da casa e foi mostrá-lo para a mãe, que falava ao telefone. Disparou várias vezes para mostrar que a arma estava vazia, mas o revólver ainda tinha três projéteis. Um deles atingiu Nanci.
Depois dos disparos, Santos teria entrado em estado de choque e se trancou no banheiro. Acionada pela tia do rapaz, a Polícia Civil o retirou do local, mas ele foi liberado. Santos já esteve internado em hospital psiquiátrico. Até ontem, o caso ainda não tinha sido registrado na Delegacia de Homicídios.


