Marcos NegriniVia-crucisNo Pronto-Atendimento da Zona Sul, familiares foram aconselhados a procurar a Unidade 24 horas, na Zona NorteO Ministério Público vai apurar as causas da morte da menina Flávia Aparecida Schiavon da Silva, 13 anos, ocorrida segunda-feira, na Unidade 24 Horas da Zona Norte de Maringá (NIS3). Flávia sofreu perfuração do palato, por volta das 8 horas de segunda-feira, durante uma aula de educação física, na Escola Estadual Dirce de Aguiar Maia.
A menina passou por um hospital e dois postos de atendimento da rede pública, antes de receber atendimento adequado na unidade 24 horas, onde passou nove horas tomando soro. Porém, era tarde demais. Ela morreu 11 horas depois do acidente, por causa de insuficiência respiratória, segundo atestado de óbito assinado pela médica Sirlene Tamura. Segundo o secretário municipal de Saúde, Ivan Murad, o caso foi agravado por traumatismo craniano causado pelo impacto da cabeça dela no chão.
‘‘Depois de ouvir a família da menina e os médicos do hospital, para saber se uma UTI poderia ter salvo a vida de Flávia, poderei pedir a abertura de um inquérito policial para punir os responsáveis’’, afirmou o promotor João Ângelo Leonardi. A Polícia Civil de Maringá já abriu inquérito - está ouvindo os familiares e médicos que atenderam Flávia.
Ela se feriu por uma fatalidade. A garota pôs uma caneta na boca para arrumar o cabelo e, instantes depois, levou uma bolada no rosto. Imediatamente, a caneta perfurou seu palato.
Na escola, a menina foi socorrida imediatamente. O pai dela, José Aparecido da Silva, auxiliado por professores e funcionários do colégio, levou Flávia ao Hospital Universitário. Em vão, porque o HU não tem pronto-socorro durante o dia. Ela foi então ao posto de saúde do bairro Mandacaru.
No posto, os médicos optaram por encaminhar a menina ao Pronto-Atendimento da Zona Sul, a três quilômetros de distância. Mais uma vez, ela não recebeu atendimento adequado porque a equipe médica do pronto-atendimento chegou à conclusão que ela poderia receber socorro melhor na Unidade 24 Horas (NIS3), que dispõe de mais equipamentos.
Às 10h40, já sabendo da gravidade do caso, os médicos pediram à Central de Leitos do SUS uma vaga na Neurologia de qualquer um dos três grandes hospitais da cidade: Santa Rita, Paraná e Santa Casa. A central informou que não havia vaga.
Segundo Murad, por volta das 12 horas, foi feita a solicitação de vaga em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). A central informou que também não havia vaga. Segundo a avó da menina, Nair Rodrigues da Silva, que acompanhou a neta, somente um médico entrou no quarto dela durante todo esse tempo.

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