A gerência de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina está investigando a morte da garota Ana Caroline da Silva Vanderlei, de 12 anos, ocorrida na manhã de anteontem. Em virtude das circunstâncias da morte e de o resultado da necrópsia feita no Instituto Médico-Legal (IML) ter sido inconclusivo, a Secretaria levantou três hipóteses: hantavirose, leptospirose ou hepatite.
A polícia também investiga a morte da garota, já que a família levantou a suspeita de que ela teria morrido em virtude de uma queda que sofreu no final de agosto, depois de uma briga com um garoto da mesma idade (ver texto nesta página). A garota residia com a família numa área humilde do Jardim Santa Fé (zona leste). Antes de vir a óbito, a menina foi internada no Hospital da Zona Norte (HZN) e, de lá, transferida para o Hospital Universitário (HU). No boletim de entrada no HU também consta a suspeita de leptospirose, mas não há referência a hantavirose.
De acordo a gerente de epidemiologia da Secretaria, Josemari de Arruda Campos, a suspeita para hantavirose foi ventilada porque a garota apresentou alguns sintomas característicos da doença, tais como: febre, náuseas, vômito, insuficiência renal e respiratória, que evoluiu rapidamente para uma forte pneumonia. ''Ao vermos esses dados, levantamos a hipótese de contaminação por hantavírus'', afirmou a médica.
Imediatamente, a Secretaria contatou o IML para que fosse separada amostras dos pulmões, fígado e rins, como medida de prevenção. O chefe do Instituto em Londrina, Ademar Consalter, informou que, como o laudo não identificou nenhuma lesão que vinculasse a morte à agressão sofrida pela garota, foram separadas amostras de vísceras que serão analisadas em um laboratório em Curitiba. O resultado dos exames deve ficar pronto no prazo de uma semana a 15 dias.
Caso essas análises também se mostrem inconclusivas, a Secretaria da Saúde adiantou que deverá encaminhar as amostras de vísceras para o Laboratório Adolfo Lutz, em São Paulo. Antes, porém, a Secretaria pretende levantar todo o histórico clínico da garota e os acontecimentos que antecederam o seu internamento.
A hantavirose é uma zoonose doença transmita ao homem pelos animais cujo vírus está presente nas fezes e urinas de ratos silvestres. Por isso, é tida como uma doença que atinge essencialmente populações rurais que vivem próximas a florestas. Segundo a epidemiologia, trata-se de uma doença potencialmente grave, mas em 90% dos casos se manifesta através de infecções leves ou moderadas.
No Paraná, segundo Josemari, o último surto da doença aconteceu há pelo menos dois anos, na região sul do Estado e atingiu lavradores que trabalhavam numa área de reflorestamento. Na região norte do Paraná, não há registros de hantavirose.
Ana Carolina foi sepultada ontem, no Cemitério Jardim da Saudade, na zona norte de Londrina.

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