Morte de menina gera críticas a pronto-socorro de Goioerê
Sid Sauer
De Campo Mourão
A morte da menor Cláudia Aparecida Pinto, 13 anos, por pneumonia, está causando revolta entre os moradores de Goioerê (67 km a oeste de Campo Mourão) com o atendimento de parte dos médicos do Pronto-Socorro Municipal. Cláudia morreu no sábado, mas já tinha procurado atendimento no local na quinta e na sexta-feira, quando se queixava de dor na garganta e febre. Anteontem, mais de 50 pessoas foram ao PS exigir explicações dos médicos.
A maioria das pessoas que fizeram o protesto no Pronto Socorro eram amigos e parentes da menor. Eles saíram do enterro no cemitério municipal e foram direto ao PS. Além do caso da morte de Cláudia, as pessoas presentes fizeram uma série de outras reclamações contra o atendimento no local. Médicos foram denunciados por demorar a fazer o atendimento, por não cumprirem plantão e até por darem receitas por telefone.
Para o pai de Cláudia, o trabalhador rural Júnior Marcelino Pinto, houve negligência dos médicos que atenderam a menina na quinta e na sexta-feira. No primeiro dia, a menina recebeu apenas um remédio para a garganta. No segundo, tomou uma injeção antiinflamatória. Apenas no sábado ela foi internada por estar com pneumonia, mas não resistiu. Cláudia morava com os pais na Fazenda Esteirinha, a 16 quilômetros da cidade.
A secretária de Saúde de Goioerê, Maria Cecília Pugliesi, disse ontem que já abriu sindicância para apurar a morte da menor. A investigação será feita pela Comissão de Ética da Associação Médica de Goioerê e deverá emitir um parecer ainda esta semana. Assumimos o compromisso de dar uma resposta à população até sexta-feira, explicou Cecília. Ela também convocou, anteontem à noite, reunião do Conselho Municipal de Saúde para discutir o assunto.
A opinião do conselho é que o fechamento do Pronto Socorro traria perdas ainda maiores para a população, disse Cecília. O fechamento do PS chegou a ser sugerido durante o protesto de segunda-feira. A secretária lembra que o Pronto Socorro faz cerca de 2 mil atendimentos mensais e é o único local que funciona 24 horas por dia, inclusive nos finais de semana, em Goioerê. Falhas existem, mas vamos tentar amenizá-las, frisou.
Cecília afirmou que também já realizou reuniões com os seis médicos que atendem no Pronto Socorro e fez críticas àqueles que são responsáveis pelo maior número de reclamações. Se não houver melhoras, teremos que tomar outras providências, admitiu a secretária. Ela não descarta a demissão de médicos, que são todos contratados pela prefeitura. Os médicos que atenderam Cláudia também podem ser demitidos se for comprovado que houve negligência.





