Morte de médico faz 1 ano sem solução
Marcos Zanatta
De Maringá
Cardiologista de Maringá foi encontrado com duas balas na cabeça e até hoje a polícia não concluiu as investigações
Completa hoje um ano que o médico cardiologista Francisco de Assis Coimbra Júnior, de Maringá, foi raptado na Avenida Independência, ao lado da clínica onde trabalhava. Pouco mais de um mês depois do suposto sequestro o corpo de Coimbra foi localizado com duas balas na cabeça, em uma propriedade rural de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina). Até hoje a polícia não prendeu nenhum suspeito do crime. Dezenas de pessoas foram ouvidas, as contas bancárias e fiscais do médico foram averiguadas, todos os seus passos pela cidade foram reconstituídos, todos os lugares que frequentava com e sem a família foram investigados.
O delegado-adjunto que preside o inquérito, Roberto Fernandes, diz que faltam informações para que o mandante e os executores do assassinato sejam colocados na cadeia. A polícia avalia apenas que o crime tem todas as características de passional, motivado por vingança. Fernandes diz ainda que as investigações continuam, inclusive no interior de São Paulo, de onde ele acredita serem os executores. O médico Francisco de Assis Coimbra desapareceu na manhã do dia 22 de julho de 98, depois de sair da clínica que trabalhava para visitar um paciente no Hospital Santa Rita, a menos de 50 metros de distância.
Testemunhas que trabalham em lojas ao lado da clínica contaram à polícia que um veículo Ômega escuro, com placa de Bauru (SP) e ocupado por três pessoas, estava estacionado na frente da clínica de Coimbra no dia que ele desapareceu. Outra testemunha teria visto o médico conversando com um homem moreno, cabelos curtos e vestindo um terno. O desconhecido teria mostrado um papel para Coimbra, e os dois seguiram juntos para a rua lateral à clínica. Depois disso ninguém mais viu o médico.
Uma equipe do grupo Grupo Tigre (Tático Integrado de Grupos de Repressão Especiais) ficou em Maringá durante alguns dias, investigando a possibilidade de sequestro. Apesar da falta de contato que caracterizasse sequestro, os policiais do Tigre interrogaram todas as pessoas com algum envolvimento com o médico, inclusive familiares de pacientes de Coimbra. Depois de uma semana, o Grupo Tigre descartou a hipótese de sequestro. O corpo de Coimbra foi localizado por um agricultor no meio de uma plantação de milho, com dois tiros na cabeça, marcas de agressão na cabeça e sinais de que estava com as mãos amarradas para trás. A família pediu exames de DNA, que comprovaram a identidade do corpo.





