Morte de manicure revolta vizinhos
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sexta-feira, 15 de outubro de 2004
Reportagem Local 
Um clima de desconfiança e revolta marcaram ontem o velório do manicure Sandra Maria Lourenço, 47 anos. Ela morreu no início da madrugada de ontem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa, depois de ter passado por um verdadeiro calvário durante toda a tarde em quatro estabelecimentos de saúde da cidade atrás de atendimento.
Segundo a vizinha e amiga de Sandra, a enfermeira aposentada Maria do Carmo Carvalho, 56 anos, ela começou a passar mal em casa, no bairro Vivi Xavier (Zona Norte), quando almoçava. Ela sentia fortes dores no peito e no braço esquerdo. Levada à Unidade Básica de Saúde por volta das 14 horas, onde não havia médico de plantão, foi encaminhada para o Hospital da Zona Norte (HZN).
Segundo Maria do Carmo, depois de submetida a um eletrocardiograma e exames de sangue, a paciente foi liberada por volta das 17 horas. ''Não deu nem 10 minutos que ela estava em casa e voltou a passar mal'', conta outra vizinha, Nina Santana, 57 anos.
Desesperados com o estado de sáude de Sandra, amigos a levaram para o Hospital Universitário (HU). Não foram atendidos. ''Eles falaram que era necessária uma guia de internação e nos orientaram a procurar o PAM (Pronto Atendimento Municipal)'', conta Maria do Carmo.
No PAM foram realizados novos exames e a paciente foi reencaminhada ao HZN. Chegando lá, foi avaliada a necessidade de uma vaga de UTI e a paciente foi enviada imediatamente à Santa Casa. Internada, segundo vizinhos, por volta das 22h30, Sandra não resistiu e morreu por volta da 1 hora.
Os vizinhos estavam revoltados. ''Olha, para mim houve negligência em tudo mas a maior foi do HZN. Como é que eles fazem um exame em uma paciente que está gritando de dor e confundem um enfarto com dor muscular ?'', questiona Maria do Carmo.
Para ela fica a dúvida se um atendimento mais rápido poderia ter feito a diferença entre a vida e a morte. ''Talvez ela não se salvasse mas pelo menos a gente ficava com a consciência mais tranquila'', diz Maria do Carmo, que acompanhou a amiga durante toda a tarde.
O diretor clínico do HZN, Márcio Alexandre Próspero, afirmou, com base no prontuário da paciente, que no primeiro atendimento o exame de eletrocardiograma não confirmou possibilidade de enfarto e por isso ela não foi internada. Na segunda internação, à noite, a paciente já teria chegado em estado de choque.
Segundo o médico, o hospital vai abrir uma investigação sobre o caso. Ele questionou, entretanto, a segunda internação. ''É preciso apurar se a paciente realmente foi encaminhada para cá, porque se isso ocorreu, houve erro'', afirma. O HZN é um hospital secundário e não tem condições de atender casos graves.
O coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Sérgio Canavese, afirmou que a paciente foi enviada ao HZN por conta do primeiro atendimento. Ele negou que o quadro fosse grave. ''Ela saiu do PAM consciente, com pulso normal. O que pode ter ocorrido é o quadro ter piorado lá, nossos prontuários estão aqui e abertos inclusive à família'', afirma.
A assessoria de imprensa do HU informou que é procedimento não atender pacientes sem encaminhamento, com exceção de casos de urgência e emergência. A classificação do caso é avaliada pelos plantonistas. O nome da paciente, entretanto, não consta na lista de prontuários de anteontem.
Sandra deixou um filho de 17 anos e foi enterrada em Arapongas no jazigo dos pais.


