Morte de macacos desafia pesquisadores
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terça-feira, 05 de maio de 2009
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Os arteiros e irriquietos saguis do Parque do Ingá, em Maringá (Noroeste do Estado) continuam morrendo misteriosamente. O local, uma das áreas de lazer mais procuradas do município, permanece fechado para visitação. Do início de abril até ontem, cerca de 10% dos animais (14 saguis e um macaco-prego) foram encontrados mortos ou agonizando e até o momento não se descobriu a causa dos óbitos. A situação mobiliza vários pesquisadores do Paraná e outros de um dos principais organismos de pesquisa do País, o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.
A veterinária do Centro de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde de Maringá, Marilda Fonseca de Oliveira, atua desde os anos 90 nos parques da cidade e disse que neste período nunca houve tantas mortes como agora. Ela apontou que o comum era encontrar uma ou outra carcaça de sagui ou macaco, a cada três ou quatro meses. A situação atual é bem mais preocupante. Os dois últimos animais morreram no final de semana. A mortalidade já atingiu quase 10% dos saguis, pois estima-se que a população no local se aproxime dos 150 animais. Quando os encontramos, ou estão mortos ou moribundos, letárgicos, desidratados e sem conseguir caminhar,
revela.
As vísceras dos macacos mortos foram retiradas e encaminhadas para análises. As primeiras amostras seguiram para o Adolfo Lutz, mas os resultados deram negativo para a febre amarela. O fato de ter sido descartada a doença alivia porque não precisaremos adotar outras medidas de restrição em relação ao risco da febre amarela urbana. Mas ainda precisamos identificar a fonte de contaminação e de que forma os macacos estão se contaminando, destaca o chefe da Seção de Vigilância em Saúde da 15ªRegional de Saúde, Dirceu Vedovello Filho.
Com o descarte da suspeita de mortalidade por febre amarela, vários outros tipos de vírus (arenavírus, antavírus, rabdovírus, entre outros) passaram a ser investigados, segundo a coordenadora do Centro de Investigação em Epidemiologia e Vigilância em Saúde (CIEVS), Ângela Maron de Melo. Ela completa que as suspeitas de intoxicação e envenenamento foram descartadas pelas características das hemorragias apresentadas pelos animais, revelando que as mortes já provocaram até mudanças na forma de alimentar os animais. O local onde eles se alimentavam ficava muito exposto e poderia atrair ratos, que poderiam estar transmitindo o arenavirus.
Além do Adolfo Lutz, as análises também estão sendo feitas por pesquisadores do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP). Em Ribeirão Claro (Norte Pioneiro), onde morreram pelo menos 12 macacos, de acordo com Angela, a febre amarela ainda não foi descartada. Os laudos são esperados para a semana que vem.


