Maigue Gueths
De Curitiba
Há quatro anos, no dia 10 de março, Carlos Adilson Siqueira, foi assassinado, em Curitiba, com um tiro na nuca e outro no pulmão, por integrantes do grupo Carecas do Brasil. O crime aconteceu às 4 horas, no Largo da Ordem, centro da cidade. Apesar de testemunhas terem visto a cena e ouvido o grupo chamar Carlinhos – como era conhecido – de ‘‘negro sujo’’, a polícia não aceitou a tese de que a morte do rapaz foi um crime racista.
Apesar do tempo, na Justiça Criminal continua em trâmite um processo pedindo a condenação e punição dos assassinos. Na época o menor G.A.C.W. assumiu a autoria do crime, sendo indiciado e detido por alguns meses no Centro de Recuperação de Menores Infratores. Dois outros skinheads (carecas raspadas), apesar de arrolados como co-autores, foram colocados em liberdade. Há ainda outra ação indenizatória na Defensoria Pública do Paraná contra os pais do menor e contra os outros integrantes do grupo.
‘‘Eu ainda fico esperando para que haja justiça. Vou continuar cobrando para que quem matou meu filho pague por isto’’, diz Laly Siqueira, mãe de Carlinhos. ‘‘Eu sei que meu filho não vem mais, mas essas pessoas não podem viver como se não tivessem feito nada’’, afirma.
Quando foi assassinado, Carlinhos tinha 23 anos e trabalhava como iluminador na peça ‘‘A Casa do Terror’’, que estava sendo encenada no Teatro Guaíra durante o Festival de Teatro de Curitiba. Depois da apresentação, ele e alguns companheiros de trabalho foram até a casa de uma amiga comemorar um aniversário.
Por volta das 4 horas, Carlinhos e um amigo passavam pelo Largo da Ordem, a caminho do ponto de ônibus, quando foram agredidos com palavras racistas por um grupo de skinheads. Os dois chegaram inclusive a pedir ajuda a guardas municipais, mas foram aconselhados a ignorar a ameaça e ir embora pois, segundo os guardas, tratava-se ‘‘de uma turma da pesada’’. Os rapazes seguiram seu caminho, mas poucos metros depois, os skinheads atiraram, acertando Carlinhos com dois tiros nas costas. A morte foi instantânea.
‘‘Para mim, eles cometeram três crimes: matar meu filho, serem racistas e acabar com a razão da minha vida’’, resume a mãe, que segue em frente graças a ajuda de entidades ligadas aos direitos humanos, à defesa dos negros e contra o racismo. Além da punição dos responsáveis, as entidades querem que o crime seja reconhecido como uma atitude racista do grupo Carecas do Brasil, e não como ‘‘um caso de arruaça e bebedeira’’, como afirmou a polícia na época.

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