(atualizado em 02/04/2025)

Policiais do 1º Distrito observam corpo do aposentado Artêmio di Domênico., 57 anos, acusado de matar duas mulheres a golpes de facão por causa de uma dívida de R$ 1,2 mil.

O aposentado, que na tarde de sábado matou duas mulheres a golpes de facão, foi encontrado enforcado na madrugada de ontem em uma cela do 1º Distrito Policial de Cascavel. Ele havia sido transferido horas antes de Santa Catarina, para onde fugiu e foi preso domingo, depois de relatar os crimes a um conhecido.

O delegado do 1º Distrito, Ary Nunes Pereira afirmou não ter dúvida de que o acusado se suicidou. Ele usou tiras de roupa para pendurar-se nas grades da cela.

A Polícia chegou a obter declarações do homem assim que ele chegou ao Distrito, mas ele seria interrogado formalmente ontem pela manhã. Sua apresentação à imprensa deveria ocorrer ontem à tarde.

A morte "frustra o desejo da Polícia de fazer justiça, mas o quebra-cabeças está fechado", afirmou o delegado, que agora ouvirá apenas testemunhas indiretas e familiares para fechar o caso. "Não temos dúvidas", garantiu.

O crime

Pela versão policial, Domênico era namorado de Nair Arlinda Batista, 67 anos, viúva, que na tarde de sábado foi à sua casa no bairro Cancelli (zona norte), em companhia da filha G.A.C., 36 anos, para cobrar R$ 1,2 mil que havia lhe emprestado. Os corpos das duas foram encontrados na tarde de domingo, retalhados a facão.

Ainda no domingo, a Polícia de Campos Novos (SC) recebeu informações de que um homem havia comentado na cidade que matara duas mulheres em Cascavel.

A ex-mulher de Domênico, que reside em Campos Novos, também soube dos crimes. Soube ainda que ele estava à sua procura para matá-la e a um filho. Ela telefonou para um irmão em Cascavel, que resolveu ir à casa de Domênico. No local, encontrou os dois corpos. Enquanto isso, o assassino era preso em Santa Catarina. Comprovada a autoria dos crimes, foi acertada a transferência para Cascavel.

A morte na cela

O preso chegou ao 1º DP às 21 horas e foi levado para a cela que ocupou sozinho. Ele recebeu a visita de um advogado que o representava no processo de separação da esposa e, segundo o delegado Pereira, mais tarde sua cela foi inspecionada pelo único investigador de plantão, “que não observou nenhuma alteração em seu comportamento que pudesse indicar que faria o que fez”.

O corpo de Domênico foi encontrado em nova inspeção na cela às 8 horas de ontem. Artêmio di Domênico estava enforcado por tiras de roupas que tinha em uma maleta. As tiras estavam amarradas nas grades a uma altura pouco superior a de seu corpo, o que teoricamente dificultaria o enforcamento. Mas o delegado Pereira diz “não haver nenhuma dúvida que ele cometeu suicídio”, e que isso deverá ser ratificado pela perícia.

A FOLHA tentou contato várias vezes com o advogado Paulo Reis, que representava Domênico, mas a resposta em seu escritório foi de que “não estava”.

Extorsão

A delegada da Mulher de Cascavel, Elaine Ribeiro, relatou ontem que G.A.C. respondia processo (que está no Fórum) por tentativa de extorsão e falsa comunicação de crime. Segundo a delegada, ela exigiu dinheiro de um homem, com quem teria se relacionado sexualmente, para não denunciá-lo à Polícia por “estupro”.

Como ele não se submeteu à extorsão, a denúncia se concretizou. Dias depois, o homem conseguiu gravar com uma câmera de vídeo escondida um novo encontro com a mulher, no qual obteve provas da tentativa de extorsão.

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