Morte de garoto causa revolta em familiares
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Lucilia Okamura 
A gente sai para trabalhar para poder sustentar a família e quando volta encontra uma tragédia dessas. O desabafo é de Anilton Cavalcante de Oliveira, pai de Ailton, de 12 anos, que morreu anteontem à noite, durante um forte temporal que caiu sobre Londrina. O garoto foi sepultado ontem, às 18 horas, no Cemitério Jardim da Saudade (zona norte).
A família de Ailton mora na Rua Francisco Melo Palheta, 800, no Parque Residencial do Café (zona norte). Anteontem à tarde, por volta das 18 horas, quando a chuva começou, Ailton estava na casa com o irmão Bruno, de nove anos, e um amigo. A chuva foi tão forte que arrebentou o muro dos fundos e a água invadiu a casa, conta o vizinho Ananias Francisco da Silva.
Assustados, os três garotos saíram de casa gritando por socorro e, na rua (bastante inclinada), foram arrastados pela chuva. Bruno e o amigo conseguiram ser salvos pelos vizinhos, mas Ailton foi carregado rua abaixo. Os bombeiros foram chamados, mas, segundo os moradores, o corpo foi encontrado pelos vizinhos, cerca de 40 minutos após o acidente.
ReproduçãoO menino Ailton saiu de casa na hora da chuva para pedir ajudaAnilton relata que o corpo do garoto estava em uma valeta no final da rua (distante cerca de 300 metros da casa) e que foi aberta porque a pavimentação asfáltica cedeu. Talvez se não tivesse este buraco, o meu filho seria arrastado mais pra frente, não ficaria preso e ainda estaria vivo, diz.
Bruno e o amigo foram medicados e estão bem. O Bruno sofreu só escoriações, mas está bastante assustado, conta Anilton. Bastante abalada, a mãe do garoto, Maria Aparecida Marques de Oliveira, disse que por sorte a filha do casal, Natália, de seis anos, estava na casa de vizinhos quando o acidente aconteceu. O outro filho, Tiago, 14 anos, também estava fora de casa.
Anilton está desempregado e anteontem tinha saído com a mulher para fazer um serviço temporário. Ele conta que voltou para casa por volta das 19h30. O meu filho já estava morto e não pude fazer nada por ele, lamenta. Não é fácil enfrentar uma situação dessas, a minha mulher só chora.
Além de perder o filho, o casal enfrenta outro problema: praticamente todos os móveis foram destruídos por causa da chuva. A geladeira, o fogão, as roupas, quase tudo foi perdido, conta Anilton. Os vizinhos estão se mobilizando para conseguir doações para a família, que mora na Rua Francisco Melo Palheta, 800, no Parque Residencial do Café.


