Morte de garota é apurada pela polícia
Silvana Leão
De Londrina
Um quadro aparentemente banal de amidalite acabou resultando na morte da garota Jenifer Stefani dos Santos, de oito anos, de Londrina. Levada pela mãe ao Pronto Atendimento Infantil (PAI) no domingo, por volta das 20 horas, ela foi liberada pouco depois e, já em casa, passou muito mal. De madrugada, preocupados com o mal-estar da menina que ficava cada vez mais intenso, a mãe e os irmãos resolveram levá-la novamente ao PAI, onde Jenifer já chegou sem vida, às 3 horas.
Ontem de manhã a mãe da garota, Maria de Fátima Marques dos Santos, não se conformava com a morte da filha: Ela entrou andando no PAI e saiu passando mal. Eu tenho certeza que foi a injeção (Benzetacil) que deram nela. Maria de Fátima disse que chegou a falar para a atendente de enfermagem que a filha não estava bem. A boca dela ficava branca e tinha hora que ela não conseguia ficar em pé, com moleza nas pernas. A atendente chegou a tirar o pulso, mas disse que a Jenifer estava bem e podia ir embora.
Maria de Fátima conta que enquanto esperava o ônibus para voltar para casa, perto das 23 horas, a menina não aguentou ficar sentada e deitou-se no chão. Ela veio se queixando de enjôo e muita dor na barriga. Depois que a gente chegou, ela estava tão desesperada e transpirava tanto que não conseguia nem ficar de roupa. A ambulância foi chamada às 2 horas. Acho que ela morreu no caminho, disse a mãe. Jenifer era a única menina entre os cinco filhos de Maria de Fátima.
O registro de ocorrência da morte da garota na 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina foi feito pelo próprio diretor-clínico do PAI, Jonilson Favaretto, que requereu junto ao delegado de plantão, Jorge Barbosa, sigilo sobre o caso até que a causa da morte seja esclarecida. Ontem de manhã a imprensa não teve acesso ao Boletim de Ocorrência.
Segundo o delegado-adjunto Acácio de Azevedo, a Constituição permite à pessoa que faz uma ocorrência em órgão público requerer sigilo do documento. A princípio, este é um direito do cidadão, embora seja algo que pode ser questionado. Em relação ao direito da imprensa de ter acesso às informações, Azevedo argumentou que outras fontes, como a própria família da vítima, continuam disponíveis.
Jonilson Favaretto explicou que pediu para que o boletim não ficasse à disposição da imprensa apenas para garantir que a direção do PAI fosse ouvida. Ele disse que foi orientado pelo chefe do Instituto Médico-Legal (IML), Antonio Carlos de Queiróz, a requerer a avaliação pós-morte (necrópsia) para definir exatamente o que aconteceu com a criança. Nós temos interesse em esclarecer o caso, inclusive para dar uma explicação à família.
Favaretto confirmou que o pediatra de plantão naquele momento, Mohamed El Kadri, diagnosticou em Jenifer uma amidalite e receitou a injeção de Benzetacil (medicamento à base de penicilina). A princípio, descartamos qualquer possibilidade de reação alérgica, pois nos 30 minutos que a paciente ficou em observação não demonstrou sinais de alergia.
O médico explicou que em hospitais e unidades de saúde não se faz mais o teste de alergia ao antibiótico, já que os casos de reação alérgica são raríssimos e, diante de qualquer problema, o paciente é socorrido imediatamente.
De acordo com o delegado Acácio Azevedo, o resultado da necrópsia demora em torno de 10 dias para ficar pronto. Foi aberto inquérito sobre o caso, que provavelmente será apurado pela delegada Valdete Testoni, do 2º Distrito Policial.Menina levada ao Pronto-Socorro Infantil (PAI), apresentando amidalite, morreu depois de receber medicação
Josoé de CarvalhoArquivo PessoalDORMaria de Fátima: Minha filha entrou andando no PAI e saiu passando mal. Acima, a menina Jenifer dos Santos, em foto cedida pela família





