A Delegacia de Homicídios de Curitiba informou ontem ter solucionado o caso da menina conhecida como Kelly, de 11 anos, que morreu na madrugada de anteontem, no Hospital do Trabalhador, no bairro Portão, onde fora deixada ferida com um tiro na barriga. Segundo a polícia, ela foi morta com um tiro disparado acidentalmente pela amiga D., de 12 anos, que empunhava um revólver 38 que havia escondido preso às costas a pedido de um amigo envolvido numa confusão de bar. O inquérito foi transferido para a Delegacia do Menor.
A polícia trabalha agora para encontrar Walter Domingos da Silva, dono do revólver, que abandonou Kelly no hospital, e uma mulher conhecida como Cleide, dona da lanchonete onde houve a briga. Walter seria dono de uma boate na BR-116 e até o final da tarde de ontem não havia sido encontrado. O investigador Paulo Roberto Kinnep, que cuidou do caso, descartou a possibilidade de Kelly e sua amiga estarem envolvidas em prostituição infantil. A suspeita fora levantada porque exames feitos pelo IML constataram que a menina já não era virgem.
O que se sabe é que as garotas eram amigas de bairro, o Pinheirinho, e que conheciam Walter. O caso chegou ao conhecimento do secretário da Justiça, Eduardo Virmond, que por meio de sua assessoria cobrou ‘‘a apuração de responsabilidades tanto no que diz respeito ao homicídio quanto à prática de exploração sexual infantil’’.
Segundo a polícia, Kelly e D. se encontraram domingo à noite perto do Farol do Saber do Pinheirinho, na Vila São Paulo, e a elas se juntaram duas irmãs de D., também menores de idade. Por volta de 21 horas, aceitaram um convite de Walter para tomar cerveja na lanchonete de Cleide.
Ainda segundo a polícia, houve uma briga no interior da lanchonete e Walter, para espantar a confusão, deu três tiros para cima. Em seguida, pediu para D. guardar a arma presa às costas, sob a blusa, acreditando que a PM não a revistaria. D. contou à polícia que, quando tirou o revólver, a arma disparou acidentalmente, atingindo Kelly na barriga. Walter Domingos da Silva e Cleide levaram a menina ao hospital, dizendo tê-la encontrado na rua.

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