Morte de fazendeiro provoca revolta
Morte de fazendeiro provoca revolta
Familiares de pioneiro de Colorado atribuem infarto à invasão de fazenda vizinha; MST diz que ação foi pacífica
Marccio W. Varella
Cerca de 40 famílias de trabalhadores sem-terra ocuparam sábado a Fazenda União, de 840 hectares, no município de Colorado (80 km de Maringá). A informação sobre o número de famílias que estão acampadas é de um dos líderes da ocupação, Manoel Lopes. A fazenda foi considerada improdutiva depois de vistoria feita pelo Incra em dezembro de 97. O proprietário, Pedro Thomé, entrou com recurso junto ao Incra, que até ontem não havia sido julgado. No noroeste do Estado, o Incra já realizou 450 vistorias em fazendas.
O clima em Colorado ficou tenso ontem depois da morte do irmão de Pedro Thomé, Natalino Thomé, de 70 anos. Ele morreu de infarto em sua fazenda, a Água Rasa. Segundo um de seus filhos, Sebastião Thomé, 40 anos, o pai passou mal depois de saber que a sua fazenda seria a próxima a ser invadida pelos sem-terra.
Marcos NegriniSem visitasSem-terra (alto) não permitiram a entrada de jornalistas na Fazenda União, invadida sábado por 40 famílias; na cidade, os netos e parentes velam o corpo de Natalino Thomé, que será sepultado às 10 horas de hojeNatalino tinha duas fazendas: a Água Rasa e a Várzea Grande que, juntas, somam 440 hectares. A Várzea Grande também foi considerada improdutiva pelo Incra no final do ano passado. Natalino entrou com recurso, que até hoje não foi julgado.
Sebastião está revoltado. Ele e outros fazendeiros da região atribuem a morte de Natalino às preocupações que ele vinha tendo com a possibilidade de invasão de suas terras. Meu pai foi pioneiro e só pensava em trabalhar. E agora vem um bando de bêbados, vagabundos, e invade a terra do meu tio. O presidente Fernando Henrique e o governador Jaime Lerner deveriam tomar uma providência para acabar com essa baderna, disse.
Ele afirmou que a maioria dos sem-terra que invadiu a União é de moradores de Colorado. O sem-terra Manoel Lopes, um dos líderes, disse que a invasão foi pacífica, não houve briga. O seu Pedro Thomé, o dono, conversou com a gente e aceitou que a sua terra fosse ocupada. Nós até estamos deixando ele vir aqui com seus funcionários para retirar o leite. Nós negociamos a invasão. As 40 famílias estão lá embaixo em barracas de lona. Nós ocupamos a terra porque o Incra já baixou o decreto de desapropriação.
O coordenador do Incra na região de Cascavel, Valdir Dorine, disse que o decreto ainda não foi assinado e depende do julgamento do recurso apresentado pelo dono da Fazenda União, Pedro Thomé. O corpo de Natalino Thomé será enterrado hoje às 10 horas, em Colorado. Ele deixou quatro filhos e 11 netos.
Em São João do Caiuá (33 quilômetros de Paranavaí), cerca de 40 famílias de sem-terra ocuparam sábado a fazenda Taperivá, de 300 alqueires. Ontem eram esperadas outras 60 famílias. Os sem-terra são todos de São João do Caiuá. A maior parte pertence ao acampamento da fazenda de Carlos Gali, de 75 alqueires, ocupada desde o final do ano passado. Segundo a polícia, ontem, parte das famílias já retornou para a cidade. O proprietário da fazenda, Caio Malta Campos, que mora em São Paulo, já acionou advogados para pedir a reintegração de posse. (Colaborou Marcos Zanatta)





