Morte de estudante leva vendedor à júri popular
Lino Ramos
De Londrina
O vendedor Marcelo Matos Coutinho, 23 anos, será levado à júri popular pela morte de Vanessa Maia, 18 anos, atropelada no dia 15 de agosto de 1997 quando atravessa a Avenida Tiradentes, próximo ao Parque de Exposições Governador Ney Braga. Vanessa voltava de um rodeio universitário na companhia de dois amigos quando foi colhida pelo Gol dirigido por Coutinho. Segundo o processo, ele e o estudante Edmar Mattos, 26 anos, disputavam um racha na Avenida Tiradentes quando houve a tragédia.
O acusado foi pronunciado no dia 11 de novembro deste ano pelo juiz da 1ª Vara Criminal, João Luiz Cleve Machado, que acatou a denúncia oferecida pelo promotor Janderson Camões de Carvalho Iassaka. Segundo o Ministério Público, o vendedor sabia do perigo que estava causando ao dirigir seu carro em alta velocidade e por isso foi denunciado por homicídio, empregado com dolo eventual. Coutinho teria visualizado a estudante atravessando a pista, porém preferiu não diminuir a velocidade de seu veículo. Ele também deverá ser julgado pelo fato de colocar a vida de outras pessoas em perigo.
O advogado de Marcelo Coutinho, João Sabec Filho, recebeu a intimação da Justiça mas adiantou que não irá recorrer, aguardando a realização do júri popular. Não adianta recorrer porque nesses casos, via de regra, o Tribunal de Justiça confirma a decisão do juiz, comentou.
Sabec também pretende mostrar em plenário que seu cliente não participava de um racha e diriga a uma velocidade 50% mais baixa que a calculada na época do acidente pelo Instituto de Criminalística de Londrina (158 km/h). Tudo que foi mostrado na reconstituição do acidente está a 50% daquilo que a polícia calculou, disse ele.
Edmar Matos, que na noite em que Vanessa Maia foi atropelada dirigia um Escort, respondeu processo pela exposição da vida de outras pessoas ao perigo, mas conseguiu a extinção de sua punibilidade após pagar multa de R$ 544,00 estipulada pelo Ministério Público.
O julgamento de Marcelo Matos Coutinho vai depender do andamento dos processos acumulados na 1ª Vara Criminal, que trata dos crimes contra a vida. Geralmente a prioridade é para os réus que já estão presos.





