Morte de cobrador provoca greve e revolta
Morte de cobrador provoca greve e revolta
Assassinato de cobrador durante assalto na madrugada de terça-feira leva à paralisação de 1,2 mil ônibus na cidade
Cerca de 100
ônibus cercaram
o Centro Cívico
durante protesto
Israel Reinstein
e Marcos Freitas
Mauro Frasson
ProtestoMotoristas e cobradores levaram o caixão de Bernardino Alves de Melo para a frente da Secretaria de SegurançaA morte do cobrador Bernardino Alves de Melo, 33 anos, na noite de anteontem, provocou uma greve espontânea entre os motoristas e cobradores de Curitiba. Ontem, eles provocaram não só a paralisação por duas vezes - durante uma hora pela manhã e quase toda a tarde - das principais linhas de ônibus da cidade, mas também levaram o caixão com o corpo de Bernardino para a frente da Secretaria de Estado da Segurança.
A Urbs (empresa que gerencia o transporte coletivo) informou que 1,2 mil ônibus - o equivalente a dois terços da frota - pararam durante as manifestações, deixando 500 mil pessoas sem transporte.
O cobrador Bernardino foi morto com um tiro no peito às 22h30 de terça-feira, quando realizava a última viagem da linha Interbairros VI, na Vila São Pedro. O ônibus estava na BR-116 na hora do assalto. Dois jovens encostaram os revólveres em nós, pedindo dinheiro. De repente um deles disparou, sem que ninguém reagisse, contou o motorista do ônibus, Ernesto Ribeiro dos Santos. O cobrador foi atendido pela Polícia Militar, mas chegou sem vida no Hospital Evangélico.
Indignados com a morte do amigo, cobradores, motoristas e seus parentes impediram a circulação de ônibus nos terminais da cidade, entre 5 horas e 8 horas. Depois, o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) se reuniu com a direção da Urbs, planejando uma paralisação à tarde. Às 14 horas, os manifestantes levaram o corpo de Bernardino à Praça Rui Barbosa, de onde saíram com 300 ônibus até a Secretaria de Estado da Segurança, no Centro Cívico. A família de Bernardino seguiu toda a manifestação dentro de um carro do sindicato.
Por onde passavam, eles iam interrompendo as linhas ainda em circulação, fazendo com que motoristas e cobradores abandonassem passageiros e veículos no meio da rua. Dos 300 ônibus que deixaram a Praça Rui Barbosa, 200 também foram abandonados no trajeto até o Centro Cívico, para marcar o protesto. Segundo o 12º Batalhão da Polícia Militar, a manifestação reuniu cerca de 300 pessoas.
Os manifestantes cercaram o Centro Cívico com 100 ônibus. Depois colocaram no chão o caixão de Bernardino, deixando-o aberto para que os amigos fizessem a última homenagem. Algumas pessoas choravam, outras reclamavam da falta de condições de trabalho e do desinteresse da polícia em solucionar esses assaltos.
Um grupo de representantes entrou no prédio para conversar com o secretário de Segurança, Rubens Abrahão Tanure (leia matéria abaixo). Às 16h20, o corpo de Bernardino foi levado para a Capela do Boqueirão, onde seria velado. Neste momento, alguns manifestantes percorreram as ruas do Centro Cívico, forçando a parada de ônibus que ainda circulavam. Perto das 17 horas, com o fim da reunião, os ônibus voltaram a circular.





