Morte de bóia-fria é apurada
Marta Medeiros
Especial para a Folha
A Polícia Civil de Colorado (85 km ao norte de Maringá) abriu inquérito para apurar a morte do cortador de cana Siderval Joaquim Rosendo, 26 anos. O delegado Dirceu Nascimento disse ontem que Rosendo foi visto pela última vez sendo levado por dois policiais militares, em Alto Alegre, distrito de Colorado. O corpo do bóia-fria foi encontrado em um canavial, próximo ao distrito, na manhã de domingo.
O caso começou sábado, por volta das 22 horas, quando a Polícia Militar foi chamada para buscar o cortador de cana, que estava bêbado e incomodava pessoas nas ruas de Alto Alegre. A Polícia Civil não ouviu em inquérito os PMs que estavam de serviço no dia porque não consegue testemunhas que oficializem a informação. As pessoas têm receio de testemunhar e, além disso, os trabalhadores passam a semana inteira fora e só voltam para o distrito no sábado, contou Nascimento. O delegado espera conseguir hoje testemunhas que possam falar sobre o caso.
Nascimento afirmou também que laudo do Instituto Médico-Legal (IML) de Maringá confirmou teor de álcool no organismo de Rosendo e apontou asfixia mecânica como causa da morte. O bóia-fria teria se afogado com o próprio vômito. Ele pode ter sofrido alguma violência que provocou esta situação, disse. A PM também agiu errado porque deveria ter encaminhado a vítima para a delegacia, explicou o delegado.
Para o comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar de Colorado, capitão Devaldir Amadei Geraldo, faltou cautela dos policiais. Houve uma certa negligência, pois eles deveriam ter deixado a vítima em casa ou na delegacia, mas como os policiais não conheciam bem o lugar optaram por deixar Rosendo próximo ao distrito, argumentou Amadei.
Ele disse que casos de embriaguez aos sábados são comuns e que os PMs são orientados a deixar a pessoa na casa de familiares ou no hospital. Temos este procedimento até para evitar acidentes como possíveis atropelamentos em estradas ou ruas.





