Morte de bebês provoca protestos
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quarta-feira, 09 de janeiro de 2002
Emerson Dias 
Moradores protestaram por causa da morte de dois bebês, que podem ter sido vítimas de negligência médica, na Maternidade Municipal de Londrina e no Hospital Santa Casa de Cambé (14 km a oeste de Londrina). A falta de equipamentos e médicos suficientes para o plantão foram as principais críticas dos manifestantes.
Em Londrina, a manifestação aconteceu ontem à tarde no Cemitério Jardim da Saudade (zona norte). Cerca de 20 pessoas acompanhavam o enterro de Marcos Paulo Carrera, morto pouco depois de nascer no último domingo. Segundo a mãe, Daiane Morais Carrera, 18 anos, o médico plantonista da maternidade determinou a realização da cesariana quando já era tarde demais. Pedi para o médico fazer um parto rápido porque sentia muitas dores, mas acabei esperando até às 23h50 para entrar na sala de cirurgia, disse.
Para a representante do Conselho Comunitário Feminino, Raquel Bassetto, na maternidade faltam médicos para atender gestantes, problema que deveria ser solucionado pela secretaria municipal de Saúde. Ela disse que vai pedir uma sindicância junto à diretoria do hospital, além de relatar o caso ao Ministério Público.
A diretora-executiva da secretaria de Saúde, Margarete Schimiti, contestou a afirmação dos manifestantes, lembrando que havia pelo menos quatro profissionais para atendimento maternal e infantil. Temos dois ginecologistas, um pediatra e um anestesista 24 horas na maternidade, isso sem contar as seis enfermeiras obstetrizes, resumiu.
O diretor-clínico da maternidade, Alessandro Galetto, disse que estava avaliando o prontuário de domingo e teria uma resultado esta manhã. Vamos conversar com a pessoas que estavam de plantão, definir se houve ou não problemas no atendimento e, se necessário, encaminhar o caso à Comissão de Ética..
Em Cambé, moradores protestaram anteontem pedindo a uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na Santa Casa local, já que uma bebê teria morrido por falta de equipamentos obstétricos. Segundo familiares, Jaqueslane Silva, de cinco meses, sofria de pneumonia e foi levada ao pronto-socorro às 11 horas do dia 27 de dezembro. Ainda de acordo com a família, a menina foi atendida às 14h30, teve quatro paradas cardíacas e, por volta das 23h30, foi encaminhada ao Hospital Evangélico de Londrina, mas não resistiu às complicações.
A administradora da Santa Casa de Cambé, Cristiane Gazzi, disse que vai abrir sindicância para avaliar se houve negligência, mas lembrou que a falta de UTI neonatal é um dos problemas que a instituição sempre tentou solucionar. Um projeto, orçado em R$ 2,9 milhões, prevê a criação de dez leitos e a compra de equipamentos. Como não há possibilidade de conseguir recursos do município nem do Estado, o projeto está tramitando em Brasília, na tentativa de angariar verbas federais. Cambé tem 90 mil habitantes, mas não possui UTI equipada.


