Morte de bebê põe sistema em evidência
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terça-feira, 17 de setembro de 2002
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá - A morte de um bebê de oito meses, ontem, cerca de 15 horas depois de passar por um posto de saúde colocou mais uma vez em evidência o atendimento da saúde pública em Maringá. João Paulo Gomes, foi levado com sintomas de febre e vômito, no início da tarde de anteontem, ao Núcleo Integrado de Saúde (Nis 3), conhecido como Posto da Zona Norte, localizado no Jardim Alvorada. Por volta das 4 horas de ontem, a mãe encontrou o bebê morto no berço.
O diagnóstico no posto de saúde foi de virose. Segundo a mãe, Lurdes Gomes, 42 anos, a criança recebeu uma injeção de dipirona e foi liberado para casa onde dormiu até às 22 horas. Em seguida, o bebê mamou e voltou a dormir e por volta das 24 horas acordou e tomou mais uma mamadeira. De madrugada, a mãe foi observar o filho quando notou que ele estava morto. Lurdes disse ontem que não sabe se vai tomar providências para verificar o motivo da morte do bebê. ''Hoje (ontem) não tenho cabeça para nada'', afirmou Lurdes.
Segundo a diretora de Assistência e Promoção à Saúde da Secretaria Municipal, Regina Della Torre, o bebê já era atendido pelo posto onde realizou uma série de exames para confirmar a síndrome de Down. O resultado do exame ainda não está pronto. Regina afirmou que se a mãe tivesse permitido, o bebê iria passar por uma autópsia no Instituto Médico Legal (IML).
A diretora disse que sem a autópsia, a secretaria não tem como ampliar as investigações sobre a ocorrência. ''Não sabemos se a criança morreu em decorrência de problemas ligados a própria síndrome ou se foi erro de diagnóstico ou ainda se havia outras doenças como meningite'', afirmou Regina.
Na semana passada, o menino Vitor Gomes da Silva, 3 anos morreu de meningite meningocócica, 15 horas depois de ter sido atendido e liberado no HU de Maringá com diagnóstico de faringite.
O delegado do 3º Distrito, Paulo Roberto Machado, responsável por quatro inquéritos por negligência médica, sendo três casos envolvendo o atendimento no Nis 3, disse ontem que vai chamar a mãe do bebê para saber do interesse na abertura de um inquérito. ''Procuramos a mãe hoje, mas ela está muito abalada e por isso vamos esperar alguns dias'', afirmou Machado.


