Morte de bebê é alvo de investigação
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terça-feira, 19 de agosto de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
Marcos Negrini A Polícia Civil de Maringá abriu inquérito para apurar as causas da morte do bebê Felipe Gabriel Farias Moreira Barros, de três meses. Ele morreu na última sexta-feira de traumatismo craniano. O inquérito foi aberto depois que a polícia ouviu a mãe de Felipe, a costureira Janete Quintino Moura, 35 anos, moradora de Paiçandu (10 quilômetros de Maringá). A suspeita é que o bebê tenha sido morto por espancamento.
Janete disse que no dia 6 de agosto, enquanto tomava banho, deixou o bebê com o companheiro dela, o pedreiro Devanir de Barros, 30 anos, pai da criança. Mesmo ouvindo o choro do bebê, ela demorou mais de uma hora no banheiro.
A mãe disse à polícia que, depois que saiu do banho, o bebê já não chorava, mas gemia muito. Como Felipe sofria de hidrocefalia (excesso de água na cabeça), a mãe acreditou que o problema teria se agravado.
Marcos NegriniInchaço no crânioJanete Moura e o filho (no detalhe). Bebê nasceu com hidrocefaliaNo dia seguinte, ela decidiu levar a criança ao Hospital Universitário. Ela soube então que o filho tinha um inchaço atrás de uma das orelhas. Quando notei que a cabeça dele estava mais alta de uma lado, chamei as enfermeiras. Mas elas me falaram que era devido ao quadro da doença, disse Janete.
Uma semana depois, o estado de saúde do bebê se agravou. Ele teve que ser transferido para a Santa Casa de Maringá, que possui UTI pediátrica. Segundo Janete, os médicos constataram o traumatismo craniano através do exame do líquido acumulado na cabeça. A esperança seria a cirurgia que Felipe deveria fazer. Mas não deu tempo. O bebê morreu três dias depois. Janete e o pai da criança foram chamados pela polícia, que foi acionada pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Maringá.
Segundo Janete, o pedreiro chegou a afirmar que só continuaria o relacionamento com ela se o bebê fosse afastado. Ele nunca agrediu Felipe na minha frente, mas diante de tudo que foi constatado acredito que seja o responsável pela morte de meu filho, afirma ela.
Um dia ele chegou a falar que o bebê poderia morrer. A costureira lembra ainda que desde o dia em que Felipe ficou pior de saúde, o pai e familiares dele apareceram para saber como o bebê estava.
Uma única vez ele foi ao hospital, ficou sabendo que o bebê precisava de sangue, mas foi embora sem doar, lembra. Janete contou ainda que o pedreiro foi ao enterro da criança, mas não demonstrou nenhum sentimento.
Janete afirmou que Devanir desapareceu da casa dela no mesmo dia em que o filho foi encaminhado ao hospital. Ele me deixou no hospital e ficou de voltar com mais roubas do bebê, mas não apareceu mais, lembra ela.
Sei que ele mora aqui perto da casa da minha mãe, mas nunca parou para falar nada. Para a polícia, Devanir disse que assumiu a criança porque se parecia com ele, e que não tinha motivos para agredir ou matar o próprio filho. A polícia aguarda o laudo do IML para confirmar a causa da morte de Felipe. O delegado-adjunto Luiz Norberto Canhoto, que cuida do caso, não foi encontrado ontem na delegacia de Maringá para falar sobre o inquérito.


