A dona de casa Leoniuce Cirene Vieira Colaviti exige explicações da Secretaria de Saúde de Maringá para a morte do filho, Maicon Guilherme, aos dois meses de idade. Maicon morreu dia 31 de julho, algumas horas depois de tomar uma injeção no posto de saúde da Vila Operária. ‘‘Esperei até agora para falar porque aguardava alguns exames que comprovaram a saúde perfeita de meu filho’’, explicou à Folha. Leoniuce contou que no dia 30, à tarde, o bebê se recusava a mamar. ‘‘O Maicon não tinha nenhum problema para se alimentar e fiquei apreensiva’’, disse.
O bebê começou a passar mal na mesma tarde, apresentando dificuldades para engolir e vomitando. O quadro se agravou e, na manhã seguinte, a mãe decidiu buscar ajuda. Como o pediatra que acompanhava a criança não atenderia naquela manhã, Leoniuce decidiu levar o filho até o posto de saúde próximo de casa. ‘‘O doutor Fernando Siqueira atendeu e viu que a garganta dele estava irritada’’, disse a mãe. O médico, segundo ela, mandou a enfermeira aplicar ‘‘uma injeção de Plasil’’, por volta das 7h40. ‘‘Pedi para não ser injeção, mas o doutor disse que seria mais rápido.’’
O médico receitou ainda Plasil gotas e Sulfa, que Leoniuce disse ter dado uma dose menor. ‘‘O Plasil gotas nem comprei porque Maicon não tinha vômito exagerado’’, disse. Por volta das 8h30, o bebê começou a chorar e gritar muito. Desesperada a mãe fez de tudo para acalmar a criança, que em alguns minutos parou de chorar. ‘‘Achei que ele tinha dormido, mas estava morto e eu comecei a gritar.’’ Alertados, vizinhos reanimaram a criança, que foi levada ao posto e à Santa Casa. No hospital, Maicon teve, segundo a mãe, mais seis paradas cardíacas.
A família não autorizou a realização de necrópsia. No atestato de óbito as causas apontadas são ‘‘acidose metabólica severio, choque hipovolêmico e parada cardíaca’’. Segundo o médico do IML de Maringá, Aldo Pesarini, a acidose metabólica severio é o distúrbio metabólico com insuficiência renal, e o choque hipovolêmico é falta de sangue e hemorragia. ‘‘Descobri depois que bebês não podem tomar injeção de Plasil, sem um acompanhamento adequado’’, lamenta Leoniuce. Ela disse que, depois da injeção, o bebê foi liberado pelo médico. ‘‘Não sei o que vou fazer, só queria uma explicação.’’
O secretário de Saúde de Maringá, Sandro Scolari, disse à Folha que a dose do medicamento aplicada em Maicon foi ‘‘normal’’, e que sem um exame de necrópsia ‘‘fica impossível prever a causa da morte do beb꒒. Ele disse que recolheu a ficha de Maicon, que estava com as vacinas em dia, mas não havia feito nenhuma consulta anterior. ‘‘Precisamos confirmar se a criança não tinha realmente nenhum problema de saúde’’, explicou Scolari.
O secretário garantiu à Folha que funcionários da secretaria tentaram contato com a família, mas Leoniuce disse ontem que ninguém a havia procurado.
O médico Fernando Siqueira disse à Folha que receitou 0,6 ml de Plasil para a criança, segundo ele, a dose menor que a poderia ser aplicada. ‘‘Provavelmente ocorreu choque mas não por excesso de medicamento’’, garantiu. Ele disse que o médico que examinou a criança depois da primeira parada cardíaca notou ‘‘aspiração de leite’’ pelo bebê. Fernando Siqueira lamenta que a família não tenha autorizado a necrópsia para certificar a causa da morte. ‘‘Uso este medicamente há 20 anos em crianças e nunca tive problemas.’’

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