Morte de aposentado está sendo investigada
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terça-feira, 20 de outubro de 1998
Paulo Ubiratan 
O aposentado Laércio da Silva, 23 anos, morreu no último sábado após ter sido medicado no Núcleo Psíquico Social (Naps), ligado à Secretaria de Saúde de Londrina. Segundo familiares de Laércio, ele tinha problemas mentais e por volta das 20 horas de sexta-feira foi levado em um ambulância para ser atendido no Naps. Segundo a irmã do aposentado, Lucinete Pereira da Silva, ele foi levado até em frente ao núcleo e ainda na maca no interior da ambulância foram aplicadas três injeções. A pessoa que aplicou as injeções chegou a dizer - em virtude da agitação de meu irmão - que a medicação chamava-se sossega leão, contou Lucinete.
Ela disse que na ocasião foi tentada a internação de Laércio na clínicas psiquiátricas Shangri-La e Vila Normanda, mas nenhuma delas tinha vagas. Minutos depois de tomar as injeções ele adormeceu e achamos que estava bem. Por volta das 22 horas, como não havia vagas nos dois hospitais, resolvemos trazê-lo de volta para casa. Laércio parecia desmaiado quando o colocamos na cama. Só fomos ver que ele estava morto um pouco antes das 8 horas do outro dia, contou a irmã.
A vizinha e amiga da família, Solange Ordani Ribeiro, foi chamada no momento em que o aposentado foi encontrado morto. Parecia que fazia muito tempo que estava morto. Ela enfatizou que, apesar de ser doente mental, Laércio tinha boa saúde e boa estrutura física. Estranhei muito a sua morte. Pois ele vivia bem. As coisas se complicavam quando ele bebia um pouco, como aconteceu nesta última vez. Alcoolizado, ficava muito agressivo e precisava ser internado, contou.
O psiquiatra Luis Alberto Abumussi que atendeu Láercio disse que a medicação dada era a mesma que o paciente vinha recebendo há muito tempo. O rapaz (Laércio) era nosso paciente antigo mas não seguia o tratamento regularmente. O prontuário mostra que ele sempre era atendido em emergência e recebia sempre a mesma medicação como ocorreu na sexta-feira afirmou. Luis Alberto disse qu o aposentado recebeu atendimento adequado. Ele não quis informar o nome dos remédios que aplicou em Laércio alegando motivos éticos.
A diretora executiva da Secretaria Municipal de Saúde, Regina Estela Spaniolo, afirmou à Folha que a morte do aposentado está sendo investigada e que uma comissão aguarda o resultado do laudo do Instituto Médico Legal para saber a causa da morte. Laércio e a família viviam no Jardim Marabá (zona leste).


