Morte de Amanda: um ano sem resposta
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domingo, 26 de outubro de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Na próxima terça-feira, dia 28, o casal Luiz e Maria Francisca Rossi terá a alegria de ver a filha Isadora Fernanda completar 18 anos. Isadora está estudando para o vestibular, e, como toda jovem dessa idade, tem um futuro repleto de boas perspectivas.
E foi pensando em Isadora e em seus 18 anos que Luiz e Maria Francisca resolveram adiantar as atividades em memória a Amanda Rossi, morta na véspera do aniversário da irmã em outubro do ano passado, em Londrina. Ao invés de relembrar a morte, a família optou por reservar a data para celebrar a vida.
Por isso, o maior evento em memória a Amanda ocorreu no último dia 12, com missa, carreata e distribuição de doces no Centro Social Urbano da Vila Portuguesa (Centro).
A família também mandou rezar uma missa no dia 22 e marcou outra para hoje, mas estas duas sem as passeatas que, durante doze meses, foram símbolo da indignação e uma forma de não deixar o caso ser esquecido.
Amanda Rossi foi assassinada por enforcamento dentro da casa de máquinas da Unopar. Aluna de Educação Física, ela participava de um festival de dança aberto à comunidade no sábado à noite. O grande número de pessoas no local, o longo tempo transcorrido entre o homicídio e a descoberta do corpo (ela só foi encontrada na segunda pela manhã), as poucas provas e outros fatores contribuíram para que o crime continue sem solução até hoje, um ano depois.
Segundo o delegado que cuida do caso, Ernandez César Alves, o fato de o caso correr em segredo de justiça o impede de responder se as investigações estão próximas de um final e de fornecer qualquer outra informação. ''O que eu posso dizer é que as investigações continuam'', resumiu.
Enquanto aguarda uma resposta, a família vem tentando se recompor e retomar a vida normalmente. Em entrevista após a missa do dia 22, na Catedral, dona Maria Francisca contou que, ao mesmo tempo em que o crime ''mudou tudo'' na vida deles, a rotina continua a mesma.
''As coisas dela continuam lá, agora ela está mais próxima do que nunca'', comentou a mãe, para depois admitir que é na hora das refeições, de manhã e à noite, que Amanda faz mais falta.
Mas, se sentir a presença da filha morta é algo comum a todos os pais que tiveram que passar por essa provação, no caso da família Rossi, a dor é maior pelo fato de até hoje não haver uma explicação para a morte da jovem.
''O que mais dói é não saber o porquê de tudo isso, não tinha nada que pudesse levar alguém a cometer uma barbaridade dessas. Não havia motivo'', revelaram Luiz e Maria Francisca, lembrando que Amanda era muito querida, dedicada e não tinha desafetos. ''Depois que a gente entender as razões, pode ser que fique mais fácil. Mas com certeza foi por banalidade'', salientaram.
Ambos revelaram que não guardam rancor, nem querem vingança. ''Não vou sujar a minha mão para fazer justiça. Isso não é certo, a gente não pode se igualar a quem faz uma coisa dessas. Tenho pena dessa pessoa, porque ela deve estar sofrendo por tudo o que fez'', afirmou Luiz.
O pai, que desde o primeiro momento esteve convicto de que o crime seria solucionado logo, preserva essa mesma fé até hoje. ''A esperança continua mais forte que nunca. Temos muita fé em Deus, e isso nos dá força'', ressaltou.
Questionado sobre o teor de suas orações na missa do dia 22, Luiz repetiu algo que vem dizendo há meses, cada vez com mais convicção: ''Agradeci uma coisa que fiquei sabendo que vai terminar com tudo isso. Garanto que o fim está próximo'', assegurou, sem entrar em detalhes. E seus olhos encheram-se de lágrimas.


