Castro - Nas ruas de Castro (41 km ao norte de Ponta Grossa), apenas um assunto domina as rodas de conversa da população: o assassinato da menina Alessandra Subtil Betin, 8 anos, encontrada morta na manhã de segunda-feira em um matagal perto de sua casa no bairro Vila Catangalo 2. Alessandra foi vítima de uma pancada na cabeça, conforme laudo do Instituto Médico Legal (IML), e em seu corpo havia indícios de abuso sexual. A menina foi enterrada às 9 horas de ontem no Cemitério Nossa Senhora do Rosário, em Castro. Cerca de 300 pessoas acompanharam o sepultamento.
O choque da cidade com o crime bárbaro, o terceiro contra crianças no Paraná em menos de uma semana, começa pelos pais da menina. Cleusa e Gerson Betin estavam desconsolados com a perda trágica de um dos seus seis filhos. "Quero que a justiça seja feita. Que esse marginal seja punido para que isso não aconteça com mais ninguém", disse o pai, profundamente abalado, entre lágrimas. Ele ainda mencionou o receio de que um crime como o que vitimou sua filha aconteça com outras crianças do bairro. Desnorteada, a mãe tentava encontrar palavras para descrever os sentimentos. "Judiação, minha filha. Estava tão perto dos pais. Agora não volta nunca mais", lamentou.
Logo após o enterro do corpo da filha, os dois partiram para o único hospital de Castro para se medicar. Cleusa sofre de pressão alta. Em seguida, voltaram para o lar onde viviam com Alessandra e os outros filhos. Os dois não seguraram a emoção ao se dirigirem à casa em que a polícia desconfia que a garota tenha sido morta. O local estava alugado para uma empresa de corte de madeira da região e mais de dez homens viviam no local há pouco mais de um mês. O lugar onde estavam hospedados os suspeitos do assassinato fica entre a casa de Alessandra e o matagal onde o corpo da menina foi encontrado.
A dona do imóvel, Clarice de Almeida, está inconformada com o possível fato de que a residência tenha sido usada como local do crime. "Estou horrorizada com tudo o que aconteceu. Para mim é difícil pensar que em um lugar que construí com tanta dificuldade, onde comecei minha vida, tenha acontecido uma coisa dessas", comentou. Ex-moradora do local, hoje Clarice vive em Ponta Grossa.
Na Vila Cantagalo 2, a notícia da morte de Alessandra repercutiu em forma de horror e revolta. Juraci Fátima Quadros, que vive no bairro, recorda que encontrou a garota pouco antes de seu desaparecimento, por volta das 15 horas. "Ela estava sempre brincando por aí... E agora não vamos mais ver isso. A vila inteira está chocada", afirmou. O irmão de Alessandra, Agnaldo Subtil Betin, 22, mistura no semblante cansaço, consternação e dor. "É muita revolta. Se pudesse pegar o cara que fez isso, faria em dobro", revelou. Sobre a irmã, a memória ainda fresca relembra sua timidez e o fato de ser muito querida pelas ruas sem asfalto do bairro. "O mais difícil foi o enterro", disse ainda, já tentando esquecer.

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