Vânia Moreira
De Umuarama
A morte do adolescente Rodrigo Perecin, 16 anos, baleado na cabeça por um policial militar durante uma suposta tentativa de furto, revoltou a população de Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama). Dezenas de pessoas acompanharam o enterro do menor ontem de manhã e pediram justiça. Segundo familiares da vítima, os adolescentes haviam entrado no ginásio de esportes para namorar e não para roubar. O crime aconteceu na madrugada de segunda-feira. O PM Cláudio Ferreira admitiu ter feito um disparo para cima com o revólver 38. Ele está recolhido na Companhia de Goioerê e vai responder a inquérito.
Segundo a PM, por volta de uma hora da madrugada de segunda-feira, o vigia do ginásio de esportes chamou os soldados alegando que havia ladrões tentando arrombar o prédio. Os dois PMs que atenderam a ocorrência afirmaram que ao chegar no ginásio viram três rapazes fugindo. Ferreira alega ter dado um tiro para o alto, depois de ouvir um disparo. Pouco depois, teriam encontrado Rodrigo baleado na rua. A bala acertou a nuca e saiu na testa. Rodrigo morreu quarta-feira no Hospital São Paulo, em Umuarama.
Prima de Rodrigo, a vereadora Ivone Perecin (PMDB) diz que eles estavam em seis pessoas, quatro rapazes e duas moças. Um dos adolescentes, R. B., 16 anos, trabalhava no ginásio. ‘‘Os meninos haviam se encontrado na rua e resolveram ir ao ginásio. Dois entraram com a meninas no ginásio para namorar. O Rodrigo e outro menor ficaram do lado de fora vigiando. Quando a Polícia chegou, todos saíram correndo’’, contou Ivone. De acordo com a vereadora, os adolescentes contaram que ouviram cinco tiros e só mais tarde ficaram sabendo que Rodrigo tinha sido atingido.
Muito abalado, o pai de Rodrigo, o bóia-fria Brás Perecin, 45 anos, disse ontem que o filho nunca se envolveu em crimes. ‘‘Eu quero que a Polícia apure o que realmente aconteceu’’, disse. Filho de pais separados, Rodrigo morava com o pai. A mãe Zulmira mora em Cruzeiro do Oeste (29 quilômetros a leste de Umuarama). Ivone Perecin disse que vai pessoalmente à Secretaria de Segurança em Curitiba pedir providências.
O comandante da Polícia Militar em Goioerê, David Faustino, disse que as armas dos policiais e o projétil retirado da cabeça do adolescente serão enviados para Curitiba para exames. ‘‘Com os resultados, poderemos apurar o que aconteceu’’, informou. Segundo Faustino, o caso está sendo investigado pelo Batalhão da PM de Campo Mourão e pela delegacia de Polícia de Cruzeiro do Oeste.

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