Mortalidade materna é maior no Norte Pioneiro
Edna Mendes
De Cornélio Procópio
A região de Cornélio Procópio, no Norte Pioneiro, apresenta um dos mais altos índices de mortalidade materna do Estado. Conforme dados da 18º Regional de Saúde, que abrange 23 municípios, para cada 100 mil nascidos vivos morrem 150 mulheres. A média na região está entre oito a nove mortes maternas por ano. Desde que foi criado em 1989, o Comitê Regional de Mortalidade Materna vem investigando os casos de mortes entre mulheres com idade entre 10 e 49 anos.
Por isso o comitê investiga a fundo as causas das mortes de qualquer mulher na faixa etária proposta. Se a investigação é falha, o coeficiente de mortalidade materna pode ser baixo. Isso também chama a atenção, já que muitas vezes a falta de investigação não constata que se tratava de morte materna, explica o médico Cláudio Roberto Santos, chefe da Divisão de Assistência à Saúde da 18º Regional e presidente do comitê.
De acordo com Santos, as principais causas de mortalidade materna na região são a hipertensão específica de gravidez, hemorragias, infecções e abortos. Isso também ocorre em função do baixo nível sócio-econômico e o aumento do número de gravidez na adolescência, ressaltou.
A região é a terceira no Estado em gestação na adolescência. Cerca de 25% dos partos são realizados em mães nesta fase, o que configura que para cada quatro partos, um é de adolescente. O baixo nível de instrução, má qualidade do pré-natal e falhas na assistência médico-hospitalar também são apontados como fatores que levam à mortalidade.
A Regional vem desenvolvendo um trabalho junto aos municípios que abrange para que sejam desenvolvidas ações de combate a mortalidade materna. Entre essas ações estão a reciclagem de profissionais, melhoria do pré-natal, conscientização de mulheres em idade fértil (especialmente as adolescentes), melhorias das condições de saneamento básico e difusão de medidas anticonceptivas e de planejamento familiar.
Quanto mais instruída e informada a mulher estiver, mais condições de exigir um acompanhamento de boa qualidade ela terá. O pré-natal é fundamental e, muitas vezes, ele é mal feito porque a mulher não informa e não exige do médico o suficiente, alerta Santos.





