Mortalidade materna cai 17% em 3 anos
Paraná quer agora diminuir também o número de cesarianas, um dos principais motivos de morte de gestantes
Em 1997, 90% das
190 mil mulheres que
tiveram filhos no PR
fizeram pré-natal
Da Redação
Arquivo FolhaAcompanhamentoAtendimento coloca a mulher no centro do processo que vai desde o pré-natal até o parto, recebendo todo o monitoramento de bem-estar físico e emocional. O número de cesarianas, que responde por 47% dos partos no Estado e apresenta maior risco à mãe do que o parto normal, está bem acima dos limites recomendados pela Organização Mundial de Saúde
A atenção do Governo do Paraná para a área de saúde vem mostrando resultados expressivos também em relação à mulher. Dados preliminares da Secretaria da Saúde indicam a queda no número de mortes maternas, que diminuiu 17% em três anos. Entre as ações do governo que contribuíram para a diminuição da mortalidade materna está o treinamento de profissionais que cuidam da saúde da mulher e o monitoramento do bem-estar físico e emocional da gestante.
Em 1997, das 190 mil mulheres que tiveram filhos no Paraná, cerca de 90% fizeram consultas de pré-natal, o que permitiu identificar riscos como, por exemplo, a hipertensão arterial. Com o diagnóstico, a paciente é encaminhada para tratamento.
A Secretaria de Saúde também vem incentivando o parto normal como forma de prevenir as mortes maternas evitáveis e se prepara agora para implantar o partograma - um conjunto de informações que permitirá o mapeamento de todo o trabalho de parto e a intervenção de procedimentos médicos específicos.
A implantação da medida decorre de uma resolução do Conselho Estadual de Saúde. Todas as maternidades e hospitais, que fazem parto no Paraná, serão obrigados a preencher o partograma. A comprovação da implantação do documento servirá para a Autorização de Internação Hospitalar e o consequente pagamento dos partos feitos para o Sistema Único de Saúde.
O Paraná também quer diminuir o índice de cesarianas - um dos fatores que mais contribuem para a mortalidade materna -, porque hoje ocupa o quarto lugar no ranking dos Estados brasileiros. No ano passado, dos 190 mil partos, 47% foram cesarianas, enquanto que a média nacional é 37%. O índice recomendando pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é 15% do total de partos.
A comodidade de marcar o horário para o parto e a falta de informações sobre os riscos das cirurgias obstétricas são alguns dos fatores que contribuem para o índice de cesárias. Dados do Comitê Estadual de Mortalidade Materna revelam que das 426 maternidades conveniadas ao SUS no Paraná, 39% apresentam índices superiores a 50% de cesarianas.
A cesariana só é indicada quando há risco para mãe ou para o feto. Alguns exemplos dessa situação são a ausência de contração ou dilatação do útero para o trabalho de parto ou o descolamento da placenta. Nos casos que não se caracterizam como alto risco, a cesariana é desnecessária e pode provocar infecções, hemorragias e complicações anestésicas para mulher.
A idéia de que o procedimento cirúrgico é menos doloroso que o parto normal é um dos motivos que levam a mulher a optar pela cesárea. Para acabar com esse receio e oferecer melhores condições para a realização do parto normal, uma das medidas incentivadas pelo Comitê Estadual de Mortalidade Materna é o parto humanizado.
Nesse conceito, a mulher é colocada como centro do processo que vai desde o pré-natal até o parto, recebendo todo o monitoramento de bem-estar físico e emocional. Ainda no pré-natal, a gestante pode planejar onde e como o nascimento será assistido e comunicar à família. Durante o parto, ela deverá contar com o suporte emocional da equipe de profissionais de saúde.

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