Grávida pela primeira vez aos 12 anos, garota perde dois filhos por falta de cuidados

Londrina - Os olhos e o jeito de falar ainda são de uma menina, mas a adolescente de 15 anos já acumula a história de uma mulher. Apesar da pouca idade, ela tem na memória o trauma de duas gestações perdidas e, hoje, a responsabilidade de cuidar de um bebê de 8 meses. ''Engravidei pela primeira vez aos 12 anos quando 'amiguei' de um rapaz de 22 anos. Nenhum dos dois tinha juízo. A gente brincava o tempo todo de correr, bebia, usava drogas'', lembra.
Tanto que foi depois de um dia de excessos que ela perdeu o primeiro filho. ''Foi na véspera de Ano Novo. Nunca senti tanta dor na minha vida.'' Mas a experiência não foi suficiente para que, menos de um ano depois, a menina engravidasse novamente, só que de outro rapaz. ''Dessa vez eu estava mais calma. Sabia, inclusive, que eu não podia pegar peso. Só que um dia carreguei uma cômoda e fiz muito esforço. Sangrei na hora e perdi o bebê com dois meses.''
Repetindo a história de muitas meninas da mesma idade, engravidou novamente e, mesmo com as perdas anteriores, mais uma vez, não teve todos os cuidados necessários. ''Eu queria muito o bebê, mas fazia alguma coisas que não poderia. Fumei maconha até um dia antes de ganhar meu filho. O resto eu fazia certinho'', conta.
Feliz que o filho não tenha nascido com má-formação, busca agora cuidar do menino da melhor forma. ''Tem muita coisa que os médicos falam, mas aprendo tudo mesmo sozinha. Se está certo, não sei, mas faço de coração'', confessa com ar ingênuo, dando um beijo na cabeça do pequeno menino, fruto de seu relacionamento com o atual marido, com quem mora em uma pequena casa na Zona Leste.
A gestação precoce também surpreendeu a garota de 17 anos que, atualmente, dedica-se a cuidar da filha de um ano e dois meses. Grávida aos 15 anos, de um rapaz de 18, ela foi agredida pelo próprio pai quando a família desconfiou da situação. ''Ele bateu na minha barriga, queria que eu abortasse. Por isso fui morar com a minha sogra'', conta.
Não bastasse a insegurança imposta pela gravidez, a jovem mãe experimentou na mesma época o abandono do pai, da madrasta e das irmãs, que mudaram-se de Londrina e deixaram-na sozinha com um bebê na barriga.
Depois do nascimento, já morando com o pai da criança na Zona Leste, as dificuldades continuaram. ''Como sou menor de idade, quase perdi minha filha por abandono, porque não havia ninguém responsável por nós. Tive que implorar para o meu pai vir a Londrina e assinar os papéis do casamento civil'', recorda ela, que mesmo sabendo dos métodos para evitar a gravidez quando começou a se relacionar com o marido, não o fez. ''Agora estou tomando remédio para evitar.''
Outra jovem de 16 anos, que teve a primeira filha na semana passada, conta uma história que reforça as constatações das pesquisas sobre gravidez na adolescência. Em busca de liberdade, deixou a casa da mãe aos 15 anos para viver com o namorado um pouco mais velho. A diversão acabou quando, grávida, teve de voltar para casa por falta de apoio do rapaz. ''Ele ainda mora com a família, não tem jeito de eu ficar lá'', justifica ela, que não faz ideia de como conduzirá a própria vida com um bebê nos braços.
A mãe da adolescente conta que ficou ''muito sentida'' com a gravidez da filha, mas se dispôs a ajudar a cuidar da criança. ''Já disse que a responsabilidade será dela, mas a verdade é acabarei tomando conta das duas'', antecipa. Durante o pré-natal, ela relata que já teve de ''ficar no pé'' da filha para garantir os cuidados necessários à garota e ao bebê. ''Ela ficava um tempo comigo, depois voltava para a casa do namorado. Fiquei bastante preocupada.''

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