Londrina - Mães muito jovens, em situação de risco social e com situação familiar insegura correm risco maior de perderem os filhos antes que os bebês completem um ano de idade. A constatação é do ''Estudo sobre as políticas públicas de proteção à saúde infantil e materna no Brasil: um olhar especial para filhos de mães adolescentes''. A pesquisa foi realizada pela ONG Visão Mundial para a campanha ''Saúde para as Crianças Primeiro'', que pretende contribuir para a redução da mortalidade infantil e materna com foco na adolescência no País.
Os números levantados pela pesquisa - feita por meio de análise documental a partir de publicações oficiais, como Datasus e Sigplan - são alarmantes. Apenas em 2009, dados do Ministério da Saúde demonstram que, das 42.684 crianças menores de um ano que morreram, 7.917 eram filhas de gestantes entre 15 e 19 anos e 627 filhas de meninas com menos de 14 anos. Somados, esses óbitos correspondem a 20% do total de mortes, ou seja, a cada cinco crianças que morrem no Brasil, uma é filha de mãe adolescente. No Paraná, a estatística também reflete a realidade brasileira.
A assistente social Neilza Alvez Buarque Costa, coordenadora técnica da campanha da Visão Mundial, enfatiza que o índice geral de mortalidade infantil brasileiro reduziu 58% de 1990 a 2008. ''Entre mães adolescentes, porém, não houve queda. Isso significa que a atenção à saúde da mãe adolescente é um desafio para o serviço público'', avalia.
O estudo reforça ainda uma conhecida e estreita relação entre renda e taxas, tanto de mortalidade infantil e materna, e de gravidez na adolescência, que é um fator de risco de morte da criança e da mãe. Uma das pesquisas relacionadas no levantamento foi realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2010, e revela que 18% das meninas com renda per capita de até meio salário mínimo têm pelo menos um filho, enquanto apenas 1% das meninas com renda acima de cinco salários mínimos têm filhos. Entre as adolescentes de 10 a 17 anos com pelo menos um filho, a taxa de evasão escolar é de 75%. ''Sem educação, elas não conseguem oportunidades de trabalho e se mantêm no ciclo de pobreza.''
A coordenadora reforça a necessidade de políticas públicas de saúde específicas para essa faixa etária, que possibilitem captação precoce das gestantes pelo serviço pré-natal e atendimento por equipe multiprofissional especializada, além de oferta de educação para a mãe e creches para que elas tenham onde deixar os filhos enquanto estudam. ''É preciso preparar a adolescente para um projeto de vida que não seja focado apenas na maternidade.''
Ela lembra que a campanha Saúde da Criança Primeiro visa engajar líderes governamentais e sociedade civil na priorização de ações e decisões que diretamente diminuam a mortalidade entre filhos de adolescentes até 2015. Os esforços estão alinhados às metas 4 e 5 das Metas do Milênio da ONU, que estabelecem redução em dois terços da mortalidade infantil e promoção da saúde materna.

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