Londrina - No Paraná, informações da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) indicam para a mesma direção do índice nacional apontado pela ONG Visão Mundial sobre mortalidade infantil: coeficiente de 21,96 mortos para cada mil nascidos vivos entre mães adolescentes; o maior índice entre todas as idades. De acordo com a chefe da Epidemiologia do órgão, Ivana Kaminski, este número refere-se ao acumulado desde 2006 na idade de 10 a 14 anos. De 15 a 20 anos, o coeficiente é de 15,20.
Na cidade portuária de Paranaguá, a Pastoral da Criança tem tido um trabalho árduo para diminuir o índice de mortalidade infantil entre mães adolescentes. O alto número de gestantes nessa faixa de idade é consequência, essencialmente, da grande movimentação na cidade que acarreta em prostituição. ''Temos, portanto, duas situações complicadas: a prostituição e a gravidez. Muitas meninas escondem ou nem sabem que estão grávidas e não tomam os cuidados devidos trazendo problemas para o bebê'', diz a coordenadora diocesana, Joseane de Fátima Aveles.
Além disso, segundo ela, as adolescentes ainda carecem muito de informação básica sobre a gestação e trato com o bebê nos primeiros meses. ''Percebemos que as próprias mães dessas meninas não têm informação, seja de pré-natal e até mesmo amamentação.'' Dessa forma, os líderes da Pastoral fazem um intenso trabalho de acompanhamento das gestantes e após o nascimento dos bebês até que completem 6 anos. ''Cobramos e verificamos as visitas médicas. Damos ainda orientação para que tenham uma gestação e bebês saudáveis.''
Em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a campanha Saúde da Criança Primeiro, da ONG Visão Mundial, deve render frutos a partir do ano que vem. Em virtude desta ação, a Maternidade Alto Maracanã realizará uma pesquisa para saber por que, na região, a mortalidade materna-infantil tem aumentado. No hospital, 20% das gestantes atendidas são adolescentes. ''O mapeamento visa nortear ações para esse público'', explica Vanessa Roberta Massambani Ruthes, gerente de humanização da Aliança Saúde, ligada ao Instituto Marista e que mantém a maternidade.
Outra vertente do projeto é a mudança na abordagem das adolescentes grávidas, com possibilidade de ofertar serviço de psicologia, odontologia, nutrição e, possivelmente, capacitação profissional. Segundo Vanessa, a mortalidade infantil entre filhos de mães adolescentes é fruto da vulnerabilidade social. ''São gestantes muito jovens e que não têm percepção para identificar problemas relativos à gravidez e aos bebês.''

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