Mortalidade infantil deve aumentar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de abril de 1999
James Alberti 
A mortalidade infantil deve voltar a crescer no Paraná e no Brasil em função da crise econômica. A projeção nacional, feita pelo Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), prevê crescimento de 35 mortes para cada mil crianças em 1997 para 39,2 mortes por mil crianças no próximo ano. Os índices da Pastoral da Criança, da CNBB, também demonstram um pequeno crescimento. No Paraná, em 1997, a mortalidade foi de 12 para cada mil crianças acompanhadas pela entidade. Em 1998, foram 14 mortes para cada mil crianças.
A perspectiva contraria o que vinha acontecendo nos últimos anos, quando o Paraná registrou uma queda de 34% entre 1994 e 1997. Segundo dados do governo estadual, em 1997 de cada mil crianças parananses, 18,88 morreram antes de completar um ano. Em 1994, foram 28,67 mortes para cada mil. O índice de 1997 equivale à metade da média nacional (37 mortes para cada mil) e é maior do que o de países como a Costa Rica (12 mortes para cada mil) e Cuba (sete mortes para cada mil).
Apesar de temer o crescimento, o diretor do Centro de Epidemiologia da Secretaria de Estado da Saúde, Nereu Henrique Mansano, comemora a queda no número de mortes de crianças por doenças respiratórias e infecciosas, principalmente as diarréias agudas. Em 1988, essas doenças teriam matado 829 crianças. Em 1997, foram 161 mortes.
A queda nesse tipo de mortes é confirmada pela enfermeira Brasileira Cordeiro Lopes, assistente técnica da área de Saúde da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança, considerada o maior aliado dos governos no combate à mortalidade infantil. Segundo Brasileira, as diarréias representaram apenas 2,5% das mortes em 1998. A primeira causa em mortes passou a ser as infecções perinatais (no período de gestação até o 28º dia de vida da criança), que podem ser evitadas com a melhora da qualidade do pré-natal e a assistência ao parto e a criança após o nascimento.
A Pastoral da Criança costuma apresentar melhores resultados no combate à mortalidade do que as autoridades. Segundo Brasileira, as crianças acompanhadas pela entidade teriam três vezes mais chances de morrer. Para ela, a má distribuição de renda e falta de saneamento são as principais causas da mortalidade infantil. Brasileira afirma que esses fatores transformam Curitiba num paradoxo: enquanto bairros ricos tem índice de mortalidade parecidos ao da Bélgica (quatro mortes para cada mil crianças), os bairros pobres, geralmente de invasões, têm índices parecidos com o da Índia (71 mortes por mil crianças) e da Etiópia (181 mortes por mil crianças).


