Mortalidade infantil cresce em C. Mourão
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segunda-feira, 28 de outubro de 2002
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Campo Mourão - A Secretaria Municipal de Saúde está apostando na nova Santa Casa, que começou a funcionar há 15 dias, para reduzir os índices de mortalidade infantil no município. O percentual, que chegou a cair de 49,50 óbitos por mil nascidos vivos em 1993, para 11,32 em 1998, só vem subindo desde então e chegou a 19,88 mortes por mil nascimentos em 2001. O índice aceitável é de 15 por mil.
``Com a nova Santa Casa, vamos montar a UTI neonatal e esperamos manter vivos um número maior de crianças``, disse ontem secretária Nilma Ladeia de Carvalho Dias. Um levantamento da pasta revelou que cerca de 80% dos bebês que saem da cidade por falta de UTI neonatal acabam morrendo. ``Há uma grande dificuldade de fazer a transferência de um recém-nascido por falta de vagas``, explica Nilma.
A nova Santa Casa já tem todos os equipamentos de uma UTI neonatal. ``Por serem equipamentos novos, são os mais modernos do Paraná``, disse a secretária. O hospital está agora montando a equipe de trabalho e organizando a documentação para o credenciamento da unidade de terapia intensiva. Segundo Nilma, já existe o compromisso da Secretaria de Estado da Saúde de priorizar essa credencial.
De acordo com a secretária, o aumento da mortalidade infantil em Campo Mourão nos últimos anos está ligado ao número cada vez maior de gestantes adolescentes. Hoje, de cada quatro partos na cidade, um é feito em adolescente com até 19 anos de idade. E entre as adolescentes é maior o índice de bebês que nascem prematuros. Em 2001, dos 27 óbitos de crianças com menos de um ano, nove nasceram prematuras.
Um outro dado mostra que no ano passado 29,6% dos bebês que morreram antes de completar um ano eram filhos de adolescentes. Este ano, números preliminares levantados até o final de junho elevaram esse índice para 58,3%. Nilma diz que a prefeitura mantém programas de assistência às gestantes e que o menor índice de mortalidade 11,32% em 1998 ocorreu quando havia uma semi UTI neonatal em funcionamento na cidade.
``Estamos fazendo tudo o que é possível mas, às vezes, falta tecnologia``, explicou a secretária. Além dos programas de pré-natal, que garantem consultas e exames durante a gestação, e o Cegonha Feliz, que acompanha a mãe e o bebê após o nascimento, a secretaria mantém um ambulatório para gestantes de alto risco, puericultura (consultas regulares às crianças até os dois anos) e buscas das mães faltosas através de agentes comunitários.


