Mônica Kaseker

Jonas OliveiraDedicaçãoO aposentado Rubem Faria lidera grupo que acompanha 72 famílias e 102 crianças: visitas duas vezes por mês a cada casaA mortalidade infantil está diminuindo no Paraná e em Curitiba. As doenças perinatais, que acontecem pouco antes ou depois do parto, e as respiratórias são as maiores causas de morte. Segundo as secretarias estadual e municipal de saúde, as parcerias com instituições como a Pastoral da Criança têm sido fundamentais no combate à mortalidade infantil porque possibilitam a prevenção de doenças como diarréia e desnutrição.
O Sistema Único de Saúde investe R$ 49,89 por mês na saúde de cada habitante e a Secretaria Estadual da Saúde gasta mais R$ 22,23. Somando, o investimento público na saúde de cada criança fica em R$ 72,00. Não são os R$ 0,80 que a Pastoral da Criança investe que fazem a diferença, mas a informação e a proximidade com a comunidade.

Jonas OliveiraA pesagem mensal permite acompanhar o desenvolvimento da criançaA mortalidade infantil caiu 50% nos últimos cinco anos em Curitiba, chegando ao índice de 18 mortes para cada mil nascidos vivos em 97. As doenças que mais matam crianças na cidade são aquelas relacionadas ao parto, que acontecem pouco antes ou depois do nascimento. Em seguida aparecem as doenças congênitas e doenças respiratórias. Segundo a médica epidemiologista Denise Siqueira de Carvalho, da Secretaria Municipal da Saúde, a melhor notícia é a redução da mortalidade por doenças infecto-contagiosas e parasitárias, em que a vacinação e a informação são fundamentais.
Prematuridade, complicação pulmonar, problemas respiratórios e infecções são as doenças perinatais mais comuns. Nesta área, Denise Carvalho acredita que é possível melhorar os índices de mortalidade no que diz respeito à assistência à saúde da mulher, planejamento familiar e assistência no pré-natal. Em Curitiba, 50% dos bebês nascem por parto cesariana, o que também pode representar prematuridade para o bebê.
Boqueirão e Cajuru são os bairros em que a mortalidade infantil é maior, chegando a 20 por mil. Também é na periferia que a diarréia e as doenças respiratórias como pneumonia matam mais crianças. Denise Carvalho ressalta que, por envolver questões sociais como pobreza, desemprego e saneamento básico, o índice de mortalidade infantil é um dos melhores indicativos de qualidade de vida da população.
No Paraná, a mortalidade infantil também atingiu o menor índice em toda sua história, chegando a 20 mortes a cada mil nascidos vivos em 96. Segundo a médica da Secretaria Estadual da Saúde, Maria Angélica Cerveira, um dos motivos da redução no índice é o programa ‘Protegendo a Vida’, que realiza cursos para profissionais de saúde e para a comunidade, além de repassar equipamentos para ambulatórios e hospitais de baixo risco como kits de reanimação para crianças e berços aquecidos. Os cursos têm a participação de 17 instituições, entre elas a Pastoral da Criança.
O Comitê de Morte Infantil é outro projeto que vem ajudar a diminuir o índice de mortalidade em crianças de até um ano. Cada caso é investigado e de acordo com os motivos encontrados são realizadas ações de prevenção de novos casos. A cobertura vacinal e a farmácia básica complementam o trabalho. A insuficiência respiratória é a principal causa da morte de bebês no Estado, em seguida aparecem as pneumonias e a falta de assistência médica. As regiões de Irati e Guarapuava são as de maior mortalidade infantil, atingindo o índice de 29 mortes por mil nascidos vivos.

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