Mortalidade infantil cai 37% no PR
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quinta-feira, 20 de março de 1997
Ivan Santos 
Da Sucursal
Albari RosaZilda Arns: menos crianças morreram no Brasil em 96A mortalidade infantil entre as crianças atendidas pela Pastoral da Criança no Paraná teve uma redução de 37% em 96, caindo de 24 mortes para cada mil nascidos vivos em 95 para 15 por mil no ano passado. Com 420 mil crianças sendo acompanhadas por 12 mil voluntários, o Paraná se tornou o estado brasileiro com o maior número de crianças atendidas pela Pastoral. O Paraná fez um esforço muito grande para aumentar a cobertura, diz a coordenadora da Pastoral, Zilda Arns, que divulgou ontem o relatório anual da organização.
Gastando em média R$ 0,80 por criança mensalmente, a ONG conseguiu evitar a morte de quatro a cinco mil crianças em um ano em todo o país, graças ao trabalho de voluntários que prestam atenção básica a gestantes e recém-nascidos em comunidades carentes.
Nos 27 estados em que a organização atua, a mortalidade caiu em média 17% em 96, passando de 24 óbitos para cada mil nascidos vivos em 95 para 18 no ano passado. Os resultados da Pastoral são ainda mais contundentes quando comparados com os índices mundiais e do resto do País. O índice de mortalidade infantil no mundo é estimado pelo Unicef em 51 mortes para cada mil nascidos vivos. No Brasil é de 45 por mil. Em todo o país, a Pastoral acompanha hoje 3.025.077 crianças e 2.049.272 famílias em 2.519 municípios. Nos últimos três anos, acumulou uma queda de 43% na mortalidade, que era de 31 por mil em 94. É uma prova de que estamos no caminho certo, comemorou Zilda.
A experiência da organização já foi exportada e adotada em oito países. Anteontem, Zilda retornou de uma viagem ao Guiné-Bissau, país africano que tem o sexto maior índice de mortalidade do mundo, e onde de cada mil nascidos vivos, 227 morrem antes dos cinco anos.
O reconhecimento internacional levou a Pastoral esperar a indicação para o Prêmio Nobel da Paz. A indicação da ONG tem como entusiastas o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, irmão de Zilda, e o escritor argentino Adolpho Perez Esquivel, que já ganhou o prêmio. Eles planejam defender a candidatura da Pastoral a partir do ano que vem, visando ao Nobel de 99 ou do ano 2000.


