Mortalidade infantil atinge menor índice
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de fevereiro de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O índice de mortalidade infantil em Londrina no ano de 2004 foi de 8,99 a cada mil nascidos vivas, o menor coeficiente registrado na história da cidade. Em números absolutos, 64 crianças londrinenses com até um ano de idade morreram de janeiro a dezembro do ano passado. Os dados foram divulgados ontem pelo secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, que comemorou ''uma das menores taxas de mortalidade infantil do Brasil'', e pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), que declarou: ''É uma notícia demais de boa''.
Fernandes fez uma retrospectiva do quadro da mortalidade infantil brasileira nas últimas cinco décadas para mostrar o contexto em que Londrina conseguiu atingir os índices atuais. Há aproximadamente 50 anos, lembrou o secretário, a cada mil brasileiros nascidos vivos, 100 não conseguiam atingir um ano de vida. Em consequência de fatores como investimento em saneamento básico, terapias de reidratação oral e diminuição do número de filhos por família, esse mesmo número caiu para cerca de 30 por 1.000.
Em Londrina, o índice de mortalidade infantil já era menor que a média nacional atual em 1990 e, desde então, sofreu redução de 64,44%. Em 2003, chegou a 12,09 mortes para cada mil crianças nascidas vivas, número que caiu mais 22,89% no ano passado. ''Era um sonho antigo atingir o índice de apenas um dígito, que finalmente realizamos com este coeficiente de 8,99. Atribuo isso a cinco fatores principais: a expansão do Programa Saúde da Família (PSF); o trabalho das UTIs neonatal e pediátrica dos hospitais de Londrina; a humanização do parto; o trabalho do Comitê de Mortalidade Infantil; e as políticas de inclusão social'', listou.
De acordo com o levantamento da Diretoria de Epidemiologia e Informações em Saúde do Município divulgado ontem, 7.121 crianças nasceram vivas em Londrina no ano passado. Destas, 62 menores de um ano faleceram na própria cidade e outras duas morreram em outros municípios. O maior número de mortes (66%) ocorreu antes de os bebês completarem 29 dias, no chamado período neonatal. Os 34% restantes se encaixam no período pós-neonatal, na faixa que começa acima do 28º dia de vida e vai até um ano de idade.
A principal causa de mortalidade infantil constatada pelo município é decorrente de doenças originadas pouco antes do parto provocando má formação congênita e prematuridade, por exemplo , responsáveis por 51,6% das mortes. ''São fatores complexos, de difícil cura tanto aqui em Londrina como nos melhores hospitais de outros países, porque exigem uma tecnologia muito avançada. A cirurgia fetal, por exemplo, só é realizada em poucos lugares do mundo'', comparou. As deformidades e anomalias cromossômicas responderam por 27,4% das mortes registradas em 2004, seguidas pelas doenças do aparelho respiratório, causadoras de 4,8% dos óbitos.
Ainda segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, a taxa de mortalidade infantil londrinense em 2004 foi inferior a de capitais estaduais como Florianópolis, que no mesmo ano registrou 13,33 mortes a cada mil nascidos vivos; São Paulo, com índice de 14,00/1000; e Salvador, com 20,25/1000. Em Joinville, município que disputa com Londrina o posto de terceiro maior do sul do País, o índice foi de 14,88/1000. A secretaria não obteve dados conclusivos sobre Curitiba e Maringá. Esta última já havia atingido, em 2003, um índice menor que o atual de Londrina: 8,87/1000.


