Mortalidade está relacionada à falta de assistência médica
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quinta-feira, 22 de junho de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba O número de atendimentos médicos a crianças com diarréia, principal sintoma do rotavírus, chega a dobrar no inverno em relação ao período de verão. A estimativa é da diretora do Centro de Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Curitiba, Karin Luhm, e se refere a crianças menores de 5 anos de idade. Em 2005, na primeira semana de junho, foram registrados na cidade 636 casos de diarréia, o maior índice em relação as outras semanas do ano. Em 2006, o maior número registrado até agora é de 563 casos, durante uma semana de maio. ''O rotavírus surge com mais frequência no inverno porque sua transmissão é semelhante à transmissão das doenças respiratórias'', explica.
A diretora afirmou, no entanto, que não é possível saber, entre as crianças que estavam com diarréia, quais apresentavam o problema em função do rotavírus. ''Para saber se a criança está com o rotavírus é necessário fazer um exame específico, mas que não é rotina na maioria dos hospitais'', revela. Ela acrescenta que por causa disso o Centro de Epidemiologia consegue apenas realizar um ''acompanhamento indireto'' da doença, a partir do número de consultas médicas relacionadas com a diarréia. ''Mas é claro que a partir do aumento no número de casos de diarréia num período como o inverno, por exemplo, é possível falar também no aumento dos casos de rotavírus'', explica.
Nos anos de 2005 e 2006, os números de atendimentos médicos a menores de 5 anos por causa de diarréia apresentam pouca diferença, conforme explicou a diretora. Na última semana de fevereiro do ano de 2005 foram 367 atendimentos. No mesmo período de 2006, foram 382 casos. Já na primeira semana de março do ano passado, foram 319 casos, 35 a mais do que em relação ao mesmo período de 2006.
De acordo com ela, o monitoramento da doença, feito há mais de três anos, é realizado entre as crianças menores de 5 anos porque o rotavírus é mais frequente nesta faixa de idade. Crianças com menos de 1 ano, no entanto, podem sofrer ainda mais com o vírus. Em relação a óbitos por infecção intestinal, parte possivelmente causados pelo rotavírus, o maior índice se refere a crianças menores de 1 ano, segundo a diretora. ''Mas o índice também é considerado baixo.''
De 1996 a 2004, ocorreram 64 óbitos de menores de 1 ano por infecção intestinal. No mesmo período, foram 3.637 óbitos registrados também entre menores de 1 ano. O rotavírus, portanto, poderia ser responsável por até 2% das mortes. Os dados revelam ainda que, em média, anualmente são registrados sete mortes de menores de 1 ano causadas por infecção intestinal. ''Mas nós não sabemos se realmente são rotavírus porque a identificação da doença não é obrigatória.''
A diretora lembra que a mortalidade está relacionada na maioria dos casos com a falta de assistência médica. ''A diarréia e em alguns casos o vômito, que são os principais sintomas do rotavírus, causam uma desidratação, que é possível de ser curada quando o paciente é levado logo ao hospital'', explica. No início de março, o Ministério da Saúde disponibilizou no País a vacina de prevenção contra o rotavírus. A recomendação é que sejam tomadas duas vezes aos 2 e 4 meses.


