Mortalidade é reduzida para 4 ao ano
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segunda-feira, 08 de março de 1999
Paulo Pegoraro 
Apenas quatro crianças na faixa até 6 anos de idade morreram no último ano entre as acompanhadas pela Pastoral da Criança na Arquidiocese de Cascavel. No ano anterior, ocorreram seis mortes. A desnutrição foi reduzida de 5,8% para 2,7% e a diarréia de 4,7% para 2%. O desempenho da pastoral, com ações básicas de saúde voltadas às crianças, gestantes e mães, principalmente, está sendo comemorado pela arquidiocese. Recebemos, inclusive, elogio do Vaticano, disse o arcebispo dom Lúcio Baumgaertner.
Domingo foram comemorados os 15 anos de criação da entidade (da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) no País e 13 anos na arquidiocese de Cascavel. A programação foi desenvolvida no Santuário Nossa Senhora da Salete, em Braganey (45 km ao norte de Cascavel), e reuniu 1.500 líderes da pastoral, basicamente mulheres voluntárias. Entre os convidados estavam o prefeito Armerindo Denardim (PMDB), de Braganey, e Salazar Barreiros (PPB), de Cascavel, também presidente da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná, além dos deputados estaduais Edgar Bueno (PDT) e Toninho Barater (PSDB).
Segundo dom Lúcio Baumgaertner, a atuação da Pastoral da Criança ultrapassa os horizontes nacionais e é reconhecida mundialmente como exemplo de eficácia em ações básicas de saúde. Por isso, há uma proposta de concessão do Prêmio Nobel da Paz à entidade, através de sua presidente nacional, Zilda Arns Neumann.
A coordenadora da pastoral na arquidiocese, Seni Sabina, destacou que em 160 comunidades da região, a entidade acompanha atualmente 11.947 crianças. Estatística divulgada com comparativo entre 97 e 98 mostra outros resultados importantes, além da redução da mortalidade infantil.
As crianças acompanhadas que são alimentadas exclusivamente com leite materno aumentaram de 71,7% para 94,4%, com baixo peso ao nascer diminuíram de 7,3% para 2,3%, e as que tiveram aumento de peso passaram de 77,9% para 80,7%. Desde o início do ano, não houve morte de nenhuma criança acompanhada, e quase 90% estão em dia com as vacinas indicadas para a faixa etária. Das que tiveram diarréia, a quase totalidade foi tratada com soro caseiro (água, sal e açúcar), sendo ao mesmo tempo mantida a alimentação regular.
O padre José Persch, 87 anos, da Paróquia Santo Inácio, de Cascavel, é considerado um dos símbolos do programa de soro caseiro. Ele sempre tem à mão colherinhas do soro, que são distribuídas às mães com orientações para o uso. José Persch diz que perdeu a conta de quantas colherinhas distribuiu, mas são bem mais de 3 mil. Por isso, o religioso foi homenageado domingo em Braganey. Ontem, morreu em Porto Alegre o padre Joaquim Micheletto, 57 anos, fundador da Pastoral da Criança na Arquidiocese de Cascavel (Paróquia São Cristóvão).


