Curitiba - Entidades ambientalistas e de ecoturismo do litoral paranaense fazem hoje um protesto no Porto de Cima, em Morretes, contra a falta de sinalização nos rios Nhundiaquara e São João, embargados para qualquer tipo de atividade desde o dia 13 de agosto. O embargo ocorreu depois que os laudos sobre a qualidade das águas dos dois rios demonstraram contaminação provocada pela fermentação do milho e do farelo de soja que caíram sobre o Rio São João, quando 35 vagões que transportavam carga da América Latina Logística (ALL) descarrilaram.
A proibição é válida por tempo indeterminado tanto para banho, quanto para pesca, coleta de organismos aquáticos, práticas desportivas, abastecimento doméstico, irrigação de hortaliças e de plantas frutíferas. Entretanto, nenhuma placa orienta aos turistas ou moradores locais sobre o risco do consumo ou do contato com a água. ''Faltou cuidado do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Não podemos ficar à mercê da falta de informação e da omissão por parte dos administradores públicos'', reclamou a ambientalista Zuleica Mycz, da Associação de Proteção ao Meio Ambiente da Região de Cianorte.
As entidades fizeram panfletos com o título: ''O Rio Nhundiaquara pede socorro''. Segundo a representante do Instituto de Ecoturismo do Paraná, Daniela Meres Silva, os próprios moradores não sabiam sobre o embargo da água do rio e ainda estavam lavando roupas na água contaminada. O Rio Nhundiaquara é um dos principais do litoral paranaense. Ao redor dele, comerciantes vivem do turismo com a locação de bóias para a prática do ''bóia-cross'' (corrida de bóia no rio).
''Nunca vimos por aqui, nesse quase um mês de embargo, um fiscal ou uma placa orientativa. Vamos então puxar a responsabilidade para nós e orientar os turistas que estão chegando para passar o feriadão da Pátria no nosso litoral'', disse Daniela. A Defesa Civil enviou ontem dois bombeiros para auxiliar na orientação dos turistas. O presidente do IAP, Rasca Rodrigues, disse que determinou a imediata colocação das placas em todo o trecho do Rio Nhundiaquara. ''Foi uma falha grave do próprio IAP e que não podia ter acontecido. Eu já havia determinado a colocação das placas. Entretanto, elas estarão ainda hoje (ontem) em toda a extensão do rio'', garantiu, em entrevista à Folha.
Os exames laboratoriais feitos nas amostras da água do rio encontraram milhares de colônias de bactéria ''sphaertilus natans'' e de vermes hirudíneos (sanguessuga).

mockup