Morre vereador conhecido como policial 'linha dura'
Morre vereador conhecido
como policial linha dura
Marcos NegriniCorpo do vereador foi trazido de avião de Curitiba e foi velado na Câmara de Vereadores; enterro está previsto para as 10 horas de hoje, no Cemitério MunicipalArquivo FolhaMiguelzinho: pose preferida
De Maringá
Morreu no início da madrugada de ontem, no Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, o vereador de Maringá Miguel de Oliveira, 50 anos. Ele sofreu choque hipovolêmico durante uma cirurgia do esôfago que teve início às 10 horas de anteontem. Miguelzinho, como era conhecido, foi policial durante 29 anos e se elegeu vereador em 1996 pelo PDT com 1.484 votos. Ano passado, ele se filiou ao PMDB.
Miguelzinho estava em Curitiba desde quarta-feira para tratamento de um câncer no esôfago. Ele teria descoberto a doença há 15 dias e a sua morte causou grande impacto entre os familiares, amigos e eleitores. Nascido no distrito de Catuni (MG), Miguelzinho morava em Maringá há 17 anos e ficou conhecido pelo estilo linha dura no tratamento com bandidos. Controvertido, ele tinha fama de matador de bandidos e não negava.
Em declarações para a imprensa, o então policial afirmava que tinha perdido a conta de quantos bandidos tinha matado. Um dos casos mais impressionantes de perseguição e morte dos bandidos liderado por Miguelzinho, ocorreu em 1992, quando quatro assaltantes de banco foram mortos no pátio do Hotel Berlim, no centro de Maringá.
Miguelzinho e outros policiais civis conseguiram chegar na agência Bamerindus, no Maringá Velho, no momento em que os bandidos deixavam o banco. Houve perseguição, e os assaltantes foram mortos no pátio do Hotel Berlim onde estavam hospedados e de onde partiriam para a fuga.
Em 1996 Miguelzinho usou como símbolo de campanha eleitoral uma estrela de xerife. Em 1998, mais familiarizado com a política, mas ainda mantendo a fama de policial implacável, Miguelzinho disputou a eleição para deputado estadual ainda pelo PDT, obtendo 5.894 votos. Ele era candidato a reeleição para vereador este ano. Recentemente, Miguelzinho presidiu a comissão de investigação do narcotráfico de Maringá.
Miguelzinho deixou a mulher Elisete da Silva Oliveira e duas filhas com 18 e 16 anos. O corpo do vereador chegou a Maringá ontem, por volta das 11h30 e foi trasladado no avião particular do prefeito Jairo Gianoto (PSDB). Familiares, amigos e políticos locais compareceram no aeroporto para acompanhar o cortejo até a Câmara de Vereadores onde o corpo foi velado. O enterro será hoje, às 10 horas, no Cemitério Municipal. No lugar de Miguelzinho, na Câmara de Vereadores, assume Francisco Coutinho.





