Morre uma das crianças internadas em UTI interditada
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quarta-feira, 01 de outubro de 2003
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Uma criança de 36 dias morreu anteontem, às 20 horas, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário (HU) de Londrina. A ala está interditada desde segunda-feira por contaminação por dois tipos de bactéria. De acordo com a assessoria do HU, a causa da morte foi falência múltipla dos órgãos, em consequência de infecção generalizada.
A neonatologista Cristina Mara da Silva, plantonista do corpo clínico da UTI Neonatal do HU, afirmou que a morte do menino, nascido com 33 semanas, não está necessariamente relacionada à contaminação pelas bactérias Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae. ''Não dá para dizer (que foi causada pelas bactérias), mas não é descartado'', admitiu.
As primeiras análises de cultura do bebê, cuja família é de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina), deram negativo para presença das bactérias. O resultado das culturas colhidas no fim de semana será divulgado amanhã. ''Só então dará para dizer com cem por cento de certeza'', esclareceu. De acordo com a neonatologista, a morte da criança poderia ocorrer independente da contaminação, por ser prematura e possuir sistema imunológico ''bastante deficiente''.
Dezenove bebês permanecem internados na UTI Neonatal e na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI). A Maternidade e o Pronto Socorro Obstétrico mantém atendimento parcial. A reabertura total será possível após a redução no número de internos, que vai possibilitar a desinfecção da área. Somente são feitos partos de gestantes de mais de 36 semanas considerados de baixo risco. Os casos prematuros recebem atendimento preliminar e são encaminhados para a Central de Leitos. Cinco gestantes esperavam por vaga na fila da central até o fim da tarde de ontem.
As gêmeas da dona de casa Elicéia de Moraes, 26 anos, estão internadas na UCI desde 1º de setembro. Tamires e Taíssa nasceram de sete meses e uma semana e não estão infectadas. ''Estou todo dia à tarde aqui para cuidar e amamentar as meninas'', revelou. Ela se disse tranquila porque a equipe médica teria descartado risco de morte. ''Somente tem o risco que toda criança prematura corre'', completou.
A opinião é compartilhada pela dona de casa Andréia Galdino, 20 anos, mãe de Silvana Vitória, nascida em 27 de junho. Após dois meses na UTI, ela foi transferida para a UCI por causa de problema respiratório. ''Foi explicado que estão todos colonizados, mas na minha filha não manifestou nada.''
O promotor de Saúde Pública, Paulo Tavares, reiterou ontem o pedido de informações sobre as providências da Secretaria de Estado da Saúde em relação ao problema da superlotação das UTIs Neonatal e UCIs do HU. A assessoria da Secretaria de Estado da Saúde informou que aguardará o recebimento do documento para prestar informações ao promotor.


