Carlos Nélson Piller, 90 anos, morreu por volta das 6 horas de ontem no Hospital da Zona Norte (HZN), em Londrina. Ele é a segunda pessoa a morrer entre os idosos que estavam no asilo Ebenézer, localizado no Jardim Itapoá (Zona Sul), fechado pela Justiça na última quinta-feira. Segundo informações da chefia de enfermagem do HZN, a causa da morte foi uma anemia profunda. Piller chegou a ser submetido a uma transfusão de sangue e recebeu soro, mas estava tão debilitado que não resistiu.
O Ebenézer foi fechado por determinação do juiz da 6 Vara Cível, Celso Seikiti Saito. A decisão foi baseada em relatórios da Vigilância Sanitária municipal, do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e do Ministério Público (MP), que denunciaram que o atendimento estava deficiente devido a problemas de estrutura no prédio e à falta de profissionais qualificados. Após o fechamento, os 37 idosos que estavam no local foram encaminhados para suas famílias ou para outras casas de abrigo, e quatro deles tiveram que ser hospitalizados.
Destes, Lourdes Maria Silva Alves, 87 anos, morreu na tarde do último sábado no Hospital da Zona Sul (HZS). De acordo com a diretoria clínica do HZS, as causas da morte foram peritonite (infecção na região abdominal) e insuficiência renal. Lourdes tinha problemas renais crônicos e estava com forte diarréia quando foi hospitalizada.
Anteontem, a Secretaria Municipal do Idoso informou erroneamente que Piller tinha recebido alta no HZN. Ele deu entrada no hospital na quinta-feira com quadro clínico de desidratação e desnutrição. Segundo a família do idoso, ele tinha Mal de Alzheimer, estava no Ebenézer há cerca de três anos e foi levado para o asilo porque, devido à doença, era extremamente trabalhoso cuidar dele.
''O atendimento no asilo sempre foi bom, mas nos últimos meses começamos a perceber que estava piorando'', comentou Helis Piller, filho do idoso. ''Às vezes, chegávamos (ao asilo) e meu pai estava debaixo do sol forte. Nós mesmos tínhamos que colocá-lo na sombra. Os enfermeiros eram educados, mas eram poucos e nós tínhamos a impressão de que eles só atendiam bem quando as famílias dos idosos estavam por perto.''
Márcia Ramos dos Santos, neta de Piller, disse que a família estava procurando lugar para o idoso em outras casas de convivência, mas não havia vagas. ''O que me intrigava é que, ultimamente, toda vez que íamos ao asilo, o meu pai parecia ter muita fome e muita sede. Se trazíamos um copo d'água, ele ficava até desesperado, ansioso'', disse Helis.
De acordo com a secretária do Idoso, Maria Ângela Santini, as outras duas pessoas hospitalizadas após o fechamento do Ebenézer já receberam alta. O caso mais delicado é o de uma mulher de 81 anos internada no HZS com infecção urinária e pneumonia poucos dias antes do asilo ser fechado, e que permanece hospitalizada.
Hoje, às 8 horas, será realizada uma reunião na Câmara de Vereadores para discutir o fechamento do asilo.

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