A tragédia que marcou o protesto de estudantes contra o aumento da tarifa do transporte coletivo de R$ 1,35 para R$ 1,60 realizado no dia 13 de junho no Terminal Urbano de Londrina se agravou ontem. O jovem Anderson Amaurílio da Silva, de 21 anos, atropelado por um ônibus durante a manifestação, morreu por volta das 15 horas depois de permanecer internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa. O pai do rapaz, o taxista Antônio Albino Cardoso, de 57 anos, contou que o filho lhe disse que foi empurrado por dois policiais militares.
Cardoso disse que conversou uma única vez com o filho no hospital, no começo da semana passada, quando o rapaz ainda estava consciente. Para o taxista, os responsáveis pelo acidente foram a Polícia Militar e o motorista que dirigia o ônibus da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL). ''Foi irresponsabilidade'', acusou o pai.
Cardoso confirmou que o filho tinha problemas mentais e de visão mas levava uma vida normal. Ele adiantou que irá ingressar na Justiça para cobrar responsabilidades. O delegado que conduz o inquérito, Marcos Belinati, disse que o caso ficou ainda mais grave e a investigação que apurava crime de lesão corporal culposa muda para homicídio culposo. Ele deverá ouvir os familiares do jovem nos próximos dias.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) divulgou nota apontando que o DCE se juntará aos demais participantes do movimento pela redução da tarifa, ''acionando judicialmente os responsáveis pelo atropelamento, sendo eles a Polícia Militar; Wilson Sella, presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU); a TCGL e o Prefeito Municipal''.
O presidente da CMTU, Wilson Sella, lamentou o falecimento do jovem. ''Era um inocente que não tinha nada a ver com a passagem, porque tinha gratuidade do passe, e acabou sendo vítima de um processo desnecessário'', comentou. O prefeito Nedson Micheleti (PT) também lamentou a morte e reafirmou a necessidade de uma ''severa apuração dos fatos e a punição, no rigor da lei, dos responsáveis''.
A TCGL divulgou nota de pesar e informou que, por solidariedade, ''irá arcar com todas as custas do velório e demais providências''. A empresa declarou ainda que acompanhou o atendimento médico prestado ao rapaz e auxiliou a família. ''Quanto à responsabilidade pelo acidente, a diretoria aguarda apuração da Polícia Civil'', concluiu a nota.
A assessoria do comandante do 5º Batalhão da PM informou que o tenente-coronel Rubens Guimarães não havia sido comunicado oficialmente da morte do rapaz e preferia aguardar a conclusão das investigações para se pronunciar. O promotor de Defesa dos Direitos do Consumidor, Miguel Jorge Sogaiar, também se mostrou entristecido com o ocorrido e ''solidário com a dor da família''.

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