Morre policial ferido em rebelião
Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O policial civil Laudemir Neves, de 30 anos, baleado com quatro tiros durante a rebelião na Cadeia Pública de Foz do Iguaçu, não resistiu aos ferimentos e morreu anteontem à noite na Santa Casa. O corpo foi sepultado ontem em Ponta Grossa, onde mora a família do policial. Neves estava internado em estado grave, desde a última quinta-feira, dia do motim, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital.
A polícia investiga agora o autor dos disparos. A principal suspeita recai contra os presos Roberto Josué Patene da Silva (Robertinho) e Hélio Ferreira (Goiano), que se acusam entre si. Silva, Ferreira e outros três detentos Joceli Prado da Silva, Dionísio Rodrigues Aires (Japa) e Jovelino Soares da Cruz são apontados como os líderes.
Os presos rebelados usaram uma pistola Taurus 9mm com capacidade para 14 tiros durante o tiroteio contra os policiais que tentavam conter o motim. O policial civil Olavo Pires Matos Filho, de 30 anos, está preso em Curitiba acusado de ter fornecido a arma aos detentos. O policial receberia R$ 15 mil pela pistola.
A arma foi levada aos presos dentro de um frango congelado, no domingo retrasado (14), dia em que o policial estava de plantão. A polícia também já apurou que ele estava em serviço na Cadeia nas últimas quatro fugas.
A expulsão de Matos Filho da polícia já foi determinada. Ele vai responder ainda a processo administrativo e criminal, sob a acusação de homicídio. Também poderá ser indiciado por formação de quadrilha e favorecimento de fuga. Após a rebelião, 45 presos foram transferidos e 15 receberam alvarás de soltura.
A pistola, a arma de Matos Filho e a camiseta que usava no dia da rebelião com um furo feito à bala vão passar por perícia no Instituto de Crimilística de Curitiba. O laudo deve sair em 10 dias.





