Um paciente que buscou antendimento anteontem à tarde em dois hospitais de Londrina que estavam com os prontos-socorros fechados acabou morrendo na madrugada de ontem, vítima de parada cardíaca. José Antonio Bernardes, 44 anos, sentiu-se mal no começo da tarde e, segundo a família, procurou o Hospital Universitário (HU), na zona leste, que não está recebendo pacientes por causa da greve dos servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Bernardes estava acompanhado de um irmão e sentia dores abdominais.
Recusado atendimento no HU, a família partiu para a Santa Casa, no centro, que também havia suspendido o atendimento no pronto-socorro devido à superlotação do setor. Tanto o HU quanto a Santa Casa recebiam apenas casos de urgência. A família de Bernardes, que era funcionário do setor de jardinagem da prefeitura, continuou a peregrinação em busca de socorro e seguiu para o Posto de Saúde José Belinati (centro). Segundo informações do posto, ele foi atendido rapidamente e encaminhado em ambulância para o Hospital da Zona Norte (HZN).
O diretor-clínico do HZN, Antonio Carlos Petrus, informou que o paciente deu entrada no hospital às 18h10 com diagnóstico de pancreatite aguda (inflamação no pâncreas). ''Ele tinha uma história de etilismo crônico e cirrose'', explicou. O quadro se agravou rapidamente, disse Petrus, e na madrugada Bernardes sofreu uma parada cardiorrespiratória, morrendo à 0h45. Para o diretor-clínico, mesmo que o paciente tivesse sido atendido antes, em um hospital de maior complexidade, como é o caso do HU e da Santa Casa, não teria resistido.
O corpo do funcionário público foi sepultado no final da tarde de ontem, no Cemitério Jardim da Saudade. A família estava revoltada com a recusa dos hospitais em prestar o socorro. Uma irmã da vítima, Durvalina Bernardes, culpava o governo estadual em não negociar com os grevistas do HU e deixar que a greve se prolongasse. ''Eu queria que o governador (Jaime Lerner) visse isso'', reclamou. Ela acrescentou que Bernardes ''morreu por falta de atendimento''. ''Se a gente tivesse dinheiro, meu irmão estava vivo'' - declarou.
A direção da Santa Casa não quis comentar o assunto. O diretor-clínico do HU, Silvio Vilari Filho, não tinha conhecimento do caso. A presidente do SinSaúde Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde (SinSaúde), Ana Maria da Cruz, lamentou a morte. Ela aconselhou a população a procurar diretamente um posto de saúde ou hospitais das zonas Norte e Sul. ''Assim haverá mais agilidade no atendimento'', explicou.
Bernardes era casado, não tinha filhos e morava no Conjunto Eucaliptos (zona leste). Durvalina disse que na semana que vem, a família vai decidir se entrará com uma ação contra o Estado.

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