Morre operário ferido em tiroteio
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terça-feira, 26 de agosto de 2003
Adriana Savicki e Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
O auxiliar de produção Damião dos Santos Ramos, 27 anos, funcionário da empresa Fios de Seda Bratac, no Jardim Nossa Senhora da Paz (zona oeste de Londrina) morreu na manhã de ontem na Santa Casa. Anteontem à tarde, Ramos estava trabalhando quando foi atingido no abdome por uma bala perdida.
Um tiroteio entre gangues de dois bairros que cercam a empresa foi a causa da morte de Ramos, segundo a polícia. O funcionário estava em uma passarela suspensa que fica na linha de tiro do Jardim Nossa Senhora da Paz e da favela da Rua Pantanal no momento do tiroteio. O encarregado de turno, Cirso Cestari Corrêa, 35 anos, estava próximo a Ramos no momento da ocorrência e afirmou que tudo aconteceu muito rápido. ''Ele estava indo para o outro lado ajudar a carregar os sacos (com casulos) quando ouvi o barulho e vi ele caindo'', contou.
Ramos foi a primeira vítima fatal dentro da empresa, mas as marcas de balas espalhadas pelos muros mostram que vários poderiam ter sido atingidos. O diretor da empresa, Hélio Mizokoshi, afirma que as balas perdidas se tornaram rotina e que as autoridades precisam tomar providências. ''Se continuar desse jeito, teremos que fechar a empresa. Não temos como evitar os tiros'', comentou.
Uma placa de metal reforçada foi colocada em um dos lados da passarela para bloquear os tiros do Jardim Nossa Senhora da Paz, bairro mais próximo da empresa. A bala que matou Ramos passou pelo outro lado, vinda da favela, que fica mais distante. O supervisor Eiji Hirakawa, 56 anos, disse que o outro lado não foi reforçado pelo fato de a favela ficar longe da fábrica e aparentemente não oferecer perigo. ''Para ficar seguro mesmo, acho que vamos ter que usar colete à prova de balas e capacete. Nunca imaginamos que isso poderia acontecer'', afirmou.
O clima entre os funcionários, ontem de manhã, era de tristeza e medo. Corrêa lembra de Ramos como um dos melhores empregados da empresa e diz estar com medo de passar pelo mesmo local onde os tiros aconteceram. ''Enquanto não colocarem o reforço em toda a passarela eu não volto mais lá'', disse. Além de Ramos, um menino de nove anos foi atingido no pulso durante o tiroteio. Ele foi medicado e liberado.
Ramos era casado e tinha um filho de um ano e oito meses. Ele morava no Jardim Leonor (zona oeste) e trabalhava na empresa há três anos, desde que mudou-se de Califórnia (19 km ao sul de Apucarana). A família estava chocada com o crime. ''Acho que está acontecendo um desrespeito com a (empresa) Bratac e os trabalhadores, os bandidos das invasões é que têm vez, a gente tem que pedir a Deus, porque aos homens não adianta'', desabafou o pai de Damião, Josué Pereira Ramos, 61 anos.
O pai e os irmãos de Ramos mudaram-se para Londrina há apenas cinco meses em busca de melhores oportunidades de trabalho e foram acolhidos por Ramos. ''Meu irmão sempre falava em mudar de emprego por causa da violência'', lembra a irmã Rosineide Santos Ramos, 26 anos. A família está apreensiva porque outros membros trabalham na empresa.
O corpo de Damião Ramos será sepultado hoje, às 9h15, no Cemitério Padre Anchieta.


