Morre o jornalista Estelio Feldman
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Foi sepultado, no final da tarde de ontem, no Cemitério Parque das Oliveiras, Zona Leste de Londrina, o jornalista Estelio Feldman, redator da editoria Mundo da Folha de Londrina e responsável pelas colunas Praça, no Folha Cidade, e Aqui TV, na Folha 2. Estelio tinha 66 anos e estava internado desde a segunda-feira no Hospital do Câncer. Ele morreu na madrugada de ontem, às 4h45, de falência múltipla dos órgãos, em decorrência de melanoma.
Estelio deixa a mulher, Rita de Cássia, e três filhos do primeiro casamento, com Terezinha Aparecida Brito Feldman, conhecida como Lesa (falecida há dois anos e meio): Maria Helena, 41 anos, Cristina, 36, e Aurélio, 27. O jornalista tinha quatro irmãos Lia, Simonita, Clarice e Ênio. Também deixa um projeto inacabado: escrever um livro-homenagem aos 70 anos de Londrina. A publicação reuniria 70 depoimentos de filhos ilustres da cidade.
Junto com os colegas Wildson Schwartz e Jota Oliveira, o jornalista seria homenageado ontem na Câmara Municipal. Os três receberiam o título de Cidadão Honorário de Londrina por iniciativa dos vereadores Tercílio Turini (PSDB) e Renato Araújo (PP). A solenidade foi adiada para o dia 17 de março, às 20h30. Estelio será reverenciado ''in memorian''.
Estelio Esher Feldman nasceu em Campinas (SP), em 4 de janeiro de 1938. Ainda menino, sua família trocou o interior pela capital. Em São Paulo, Estelio estudou no Grupo Escolar Dom Pedro I, no bairro do Ipiranga, onde fez o antigo primário. O ginasial (equivalente aos quatro últimos anos do ensino fundamental) ele cursou no Ginásio Estadual Alexandre de Gusmão, também no Ipiranga. O bairro foi cenário do seu romance infanto-juvenil ''Tempo Bom'', que relatava como era viver a adolescência nos anos dourados da metrópole. Estelio estudou o primeiro ano do Colegial também em escola pública, no Presidente Roosevelt.
Em dezembro de 1955, ele aportou em Londrina, voltando definitivamente a viver no interior. Seguiu se educando no ensino público: concluiu o colegial no Colégio Estadual de Londrina (atual Vicente Rijo), localizado, na época, na Rua São Salvador. Seus estudos foram concluídos na Faculdade Estadual de Direito, entre 1964 a 1968.
Sua carreira como comunicador começou na pré-história da Rádio Paiquerê, em outubro de 1956 (a inauguração da emissora ocorreria quatro meses depois). Em dezembro de 1957, saiu do rádio, mas voltou logo, em maio de 1959. Em julho de 1960 deixou o microfone da Paiquerê e ingressou na Folha de Londrina, onde construiu, durante décadas, uma carreira que cresceu simultaneamente com o prestígio do jornal, principal veículo de comunicação do interior paranaense.
Começou como repórter, função que desempenhou mais marcantemente na editoria de esporte e de cidade. Foi redator e editor de várias cadernos. Atuou como crítico de TV, aproveitando as horas diárias que dedicava ao veículo, uma de suas paixões. Se projetou como colunista, assinando a Coluna do Rádio, no início dos anos 60. Nos últimos tempos, continuava a exercer o colunismo ao redigir A Praça, uma espécie de tribuna do leitor sobre os assuntos da cidade e editava a página Mundo política e noticiário internacional eram assuntos de também grande interesse em sua vida profissional.
Mas colegas e leitores ilustres são quase unânimes em afirmar que a grande contribuição de Estelio ao jornalismo diário foram os marcantes editoriais da Folha, a casa onde ele acompanhou entradas de profissionais promissores e a saídas de jornalistas experientes. E vice-versa. Durante 35 anos e por 13 mil vezes segundo seus próprios cálculos ele emprestou seu texto para dar clareza e contundência às opiniões da publicação.
O mestre do jornalismo também foi um dos membros-fundadores da Academia de Ciências, Letras e Artes de Londrina. Para os colegas e amigos, sempre fez juz ao patrono da cadeira número 10, o seu lugar na academia. Trata-se de Monteiro Lobato, um homem idealista, combativo e atento aos fenômenos sociais, influência da vida de Estelio.
Foi autor de cinco livros: os de não-ficção ''Municipalismo e Constituinte''; ''Plebiscito''; e ''Sercomtel 30 anos''. Teve duas experiências na literatura de ficção: o romance infanto-juvenil autobiográfico ''Tempo Bom''; e ''Resgate Jornalístico'', que reunia entrevistas fictícias com grandes vultos históricos.


