Sob clima de revolta, foi sepultada na tarde de ontem a doméstica Maria Aparecida de Lima, 43 anos. Ela morreu anteontem à noite na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Londrina. Maria teve um derrame cerebral no dia 12 e só foi encaminhada para UTI 24 horas depois. Parentes estavam revoltados com o primeiro atendimento prestado no Hospital da Zona Norte (HZN).
A confirmação do diagnóstico só ocorreu na manhã seguinte do internamento em virtude da falta de equipamentos de tomografia no HZN. ''Se não fosse a falta de atendimento, a demora, quem pode garantir que ela não estaria viva agora'', afirma a irmã de Maria, Cecília Dias, 37 anos.
Ela conta que a irmã teve duas paradas cardíacas durante a noite que passou no HZN e que houve demora também na liberação de um leito de enfermaria e UTI para a paciente. ''E o diretor ainda disse que ela estava boa'', reclama. Maria tinha quatro filhos, dois menores e era viúva. A família afirma que vai procurar seus direitos na Justiça.
Outra doméstica, Elizângela Batista Pereira, 28 anos, cuja história foi publicada em reportagem ontem na Folha, também reclama da demora no atendimento. Ela tenta atendimento especializado há mais de 10 dias. Com uma forte infecção no útero e ovários, febre e muita dor, nesse período Elizângela já passou por cinco Pronto-Socorros de dois hospitais diferentes. Em nenhum conseguiu internação ou a resolução dos problemas mesmo com a interferência da Unidade de Saúde onde está tratando o problema. ''O médico do posto já fez o que podia, meu caso precisa de mais recursos'', diz.
Depois que seu calvário foi publicado, a Secretaria Municipal de Saúde marcou ontem uma consulta com um ginecologista do Hospital das Clínicas (HC) para a próxima segunda-feira. ''Me sinto humilhada, a gente por ser doméstica parece que não tem valor. Eles maltratam a gente, mas o jeito é aguentar até segunda e orar muito'', afirma. Elizângela tem cinco filhos pequenos e está contando com o auxílio de vizinhos nos trabalhos domésticos.
Questionado sobre os dois casos, o secretário de Saúde de Londrina, Sílvio Fernandes afirmou que a secretaria deve investigar se houve alguma falha no atendimento de Maria Aparecida de Lima. ''Não tenho informações precisas sobre esse problema mas em caso de suposto erro médico fazemos análises de todo o atendimento, mas é preciso verificar esse caso melhor'', disse.
O secretário também minimizou o caso de Elizângela. Segundo ele, a doméstica foi avaliada e não tinha necessidade de internação. Fernandes também afirmou que o caso dela seria atípico. ''Sabe quantas pessoas são atendidas pelas UBSs? Mais de 500 mil por mês e quase que a totalidade delas tem o atendimento necessário'', afirmou. O secretário também frisou que problemas como o de Elizângela teriam sido reduzidos com a ampliação do número de médicos e serviços de especialistas na Policlínica.

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