Morre mototaxista atingido em tiroteio no Centro
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quarta-feira, 14 de março de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
A triste história de sofrimento do mototaxista Reinaldo Alexandre Brunetti, que foi ferido durante uma troca de tiros entre bandidos e policiais, após assalto a uma imobiliária no Centro de Londrina no dia 6 de fevereiro, teve o desfecho mais triste possível. Ele faleceu na madrugada de ontem, depois de 42 dias de internamento. Ontem, a perícia confirmou que a disparo foi dado por um policial militar.
O mototaxista foi atingido por um projétil, quando estava saindo, em companhia da namorada, de uma lotérica na Avenida Celso Garcia Cid. De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital Evangélico, Brunetti foi atingido por uma bala que atravessou o seu braço direito e se alojou no abdômen, causando inúmeras perfurações no intestino. Durante o tempo de internamento, ele passou por quatro cirurgias.
No velório de Brunetti, o clima era de inconformismo. A mãe do mototaxista, Liany Brunetti, não conseguia conter as lágrimas. Ao lado do filho Eduardo e da neta Bianca, 5 anos, filha de Reinaldo, tudo o que ela mais queria saber era quem havia disparado o tiro que vitimou seu filho.
Em contato com a perita do Instituto de Criminalística de Londrina, Débora Lucila Ferreira Luiz, responsável pelo exame de balística, a reportagem da FOLHA apurou que o projétil foi disparado de uma das armas que estava sendo utilizada pela Polícia Militar (PM). ''Confesso que fiquei muito triste ao chegar a essa conclusão após realizar o exame de balística, pois sei que os policiais estão cumprindo o seu dever, mas o tiro partiu da pistola de um policial'', explicou Débora.
Segundo Liany, a morte do seu filho não vai ser apenas mais um caso policial. Ela quer justiça. ''O Reinaldo queria muito viver e me disse várias vezes que iria sair daquela cama para descobrir quem tinha atirado nele. Todas as tragédias que acontecem nessa cidade são muito comentadas, mas depois caem no esquecimento e ninguém fala mais nada. Eu não vou deixar a morte do meu filho ser esquecida'', prometeu.
Por enquanto, ela tenta arranjar forças nas boas lembranças que tem do filho para continuar vivendo. ''Mesmo tendo ficado tantos dias com ele no hospital, não consigo me lembrar dele em uma cama e quase nem acredito que ele esteja morto. Minha vida sempre foi esperar o Reinaldo chegar do serviço, até parece que ele está trabalhando e pode chegar a qualquer momento'', contou Liany, muito emocionada.
De acordo com o relações públicas do 5º Batalhão de Polícia Militar, tenente Ricardo Eguedis, com a notícia de que o tiro partiu de um PM, o próximo passo é saber com qual policial estava a arma para ser feito o devido encaminhamento legal.


