Morre motorista atingido por bomba
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sexta-feira, 04 de julho de 2003
Alexandre Palmar<br>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - Morreu o motorista de ônibus atingido na cabeça e no tórax por uma bomba caseira arremessada por dois homens na madrugada de quinta-feira, em Foz do Iguaçu. Clero Lopes de Oliveira, 36, não resistiu às queimaduras de terceiro grau e faleceu anteontem à noite. A polícia ainda não tem pistas dos autores do crime.
Oliveira sofreu o atentado enquanto dirigia um coletivo da Viação Itaipu, às 1h30, no Portal da Foz (região nordeste). Dois encapuzados, com roupas pretas, jogaram dois coquetéis molotov (garrafas de vidro, com um pavio aceso) no ônibus e fugiram a pé. Um artefato atingiu a cabeça do condutor e outro destruiu a frente do ônibus. Socorrido pelo Siate, foi encaminhado a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Costa Cavalcanti. À tarde, aparentava recuperação, mas teve falência múltipla de órgãos devido à explosão térmica e entrou em óbito às 22h20.
Divorciado, o motorista tinha um filho, de nove anos, que mora com ex-mulher. Segundo amigos e sindicalistas, ele era uma pessoa correta e de bom humor. Liberado às 13 horas, o corpo seguiu de avião rumo a Vitória (ES) às 16 horas. A remoção aconteceu a pedido da mãe do motorista, Umbelina Lopes, 59 anos, que mora na capital capixaba. O único dos quatro irmãos de Clero residente em Foz é Carlito Lopes de Oliveira, que cuidou do translado. Para Carlito, ''é um absurdo acontecer um crime como esse contra um trabalhador''.
O motorista Telmo dos Santos, 39, disse considerar o índice de assaltos a ônibus normal. ''Mas desta vez aconteceu um exagero sem explicação.'' Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários, Dilto Vitorassi, foi taxativo. ''O que leva dois malucos, dois psicopatas a lançar fogo num trabalhador? Isso não foi um crime comum e precisa ser elucidado'', afirmou.
O superintendente do 5º Distrito Policial (DP), Jorge Camargo, afirmou à Folha ontem que, ''infelizmente'', nada tem de ''concreto''. A polícia aguarda o depoimento do único passageiro do ônibus no momento do crime (os carros não têm cobrador na madrugada). A testemunha seria ouvida anteontem à tarde, mas o interrogatório foi transferido para segunda-feira. A empresa, onde Clero trabalhava havia oito anos, disse quer irá assistir à família do funcionário.
A família e colegas de Oliveira acusam o IML de atrasar a liberação do corpo. O cadáver foi levado ao necrotério às 23 horas de quinta-feira, mas, segundo o irmão da vítima, Carlito Lopes de Oliveira, o plantonista não atendeu as ligações, nem abriu a porta do IML durante a madrugada.
A suposta demora impediu a realização de um velório e de um protesto com corpo presente em Foz do Iguaçu antes do translado a Vitória (ES). A liberação ocorreu às 13h30 e o embarque às 16 horas. ''Os companheiros queriam olhar o Clero pela última vez, mas isso não foi possível'', lamentou Vitorassi.
O diretor-administrativo do IML, Cláudio Rommel Cabanha, prometeu abrir uma sindicância para verificar se houve falha, porém frisou autópsia só podem ser feitas seis horas após a morte.
Segundo o sindicato, de janeiro a junho ocorreram 223 assaltos (mas só metade das ocorrências foi registrada na polícia), contra um total de 414 assaltos em 2002.


