Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
A secretária Gisele Aparecida da Silva, 19 anos, baleada pelo ex-namorado às 7h40 da última terça-feira em Londrina, morreu ontem às 15h45 de parada cardíaca na Santa Casa local. Ela estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado grave recuperando-se de uma cirurgia.
Gisele da Silva foi atingida por dois tiros de revólver calibre 38 no lado esquerdo do peito. Um deles saiu pelo pescoço e o outro se alojou nas costas. Na mesma manhã, ela foi submetida a uma laparotomia exploratória de urgência para interromper o sangramento da região abdominal. A cirurgia durou cerca de sete horas e desde então ela estava na UTI. Apesar de consciente, a secretária só respirava com o auxílio de aparelhos.
Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, a córnea é o único órgão que Gisele poderia doar. Até o final da tarde de ontem, a família ainda não tinha uma resposta sobre o assunto. Gislaine Aparecida da Silva, irmã da vítima, disse que todos estavam muito abalados com a morte e não haviam decidido nada sobre o funeral.
A secretária tinha um filho de dois meses com o autor dos disparos, o desempregado Fábio Aparecido Ribeiro, conhecido como ‘‘Pepsi’’. ‘‘No momento, ele está sendo cuidado por vizinhos, mas a partir de agora viverá conosco. Eu seria a madrinha dele e agora serei a mãe’’.
Ribeiro tinha 26 anos e foi encontrado morto na tarde de quarta-feira, no fundo de vale do Córrego Água Fresca, região central da cidade. Um tiro na lateral direita da cabeça, acima do ouvido, foi a causa da morte. Ao lado do corpo a polícia encontrou um revólver calibre 38, os óculos da vítima e vasilhames de cerveja. O delegado Algacir Ramos, do 1º Distrito Policial, acredita que se trata de um suicídio.
Os disparos de Ribeiro também feriram o montador J.W.O., de 15 anos. Ele levou um tiro de raspão no nariz, mas após ser atendido na Santa Casa foi liberado. O crime aconteceu na rua Benjamin Constant enquanto Gisele tentava entrar num ônibus da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) para fugir do ex-namorado.
A família da secretária mora em Cambé (13 km a oeste de Londrina) e, segundo ela, Gisele e Ribeiro namoraram por cerca de seis anos e desde outubro do ano passado estavam separados. ‘‘Ele vivia batendo nela. Várias vezes, ele ameaçou matá-la e a nós’’, disse a mãe de Gisele, a dona de casa Odete Augusto da Silva, 50 anos.

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